O Hospital Pulido Valente, em Lisboa, vai ser requalificado e transformado no segundo parque de saúde da capital portuguesa, anunciou o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, Carlos das Neves Martins.

“O que nós decidimos, com o apoio do Governo, foi a requalificação do Hospital Pulido Valente, transformando-o no segundo parque de saúde da cidade”, disse.

 

O primeiro foi criado em Alvalade, no antigo Hospital Júlio de Matos, disse o responsável. No parque ficarão instalados, por exemplo, a Central de Esterilização Partilhada e o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (serviços do Ministério da Saúde).

Segundo Carlos das Neves Martins, a requalificação “visa dar fruição exclusivamente pública a 100% das áreas que lá estão construídas com dinheiro público e terminar as obras que há cinco anos estão paradas”.

O responsável falava aos jornalistas na sequência de declarações da Plataforma Lisboa em Defesa do Serviço Nacional de Saúde, que está preocupada com o futuro daquele hospital.

Segundo a plataforma, já foram retiradas camas e serviços ao Pulido Valente e o Governo prepara-se agora para entregar os cuidados paliativos e continuados à Santa Casa da Misericórdia.

O presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, que agrega o Pulido Valente e o Hospital de Santa Maria, assegurou que o parque da saúde vai “manter-se exclusivamente na esfera do património público”.

Além disso, o Ministério da Saúde “não vai investir nas obras de requalificação e no terminus de alguns espaços que ficaram parados” porque quem vai fazer o investimento são os parceiros com quem vão trabalhar.

Cuidados paliativos e continuados

"Na área dos cuidados paliativos e continuados, vai ser a Santa Casa da Misericórdia que vai pagar uma renda para utilização do espaço”, exemplificou.

Quanto ao número de camas, o responsável frisou que vão ser aumentadas e que o futuro parque de saúde “passará a ter 274 camas: 15 para cuidados paliativos, 60 para cuidados continuados, 120 para cuidados intermédios e 79 para cuidados agudos”.

Será ainda entregue uma área que está atualmente desocupada para ser instalada a Unidade de Saúde Familiar (USF) do Lumiar, cujas condições “não são as melhores”.

Uma hora antes de Carlos das Neves Martins falar aos jornalistas, a Plataforma Lisboa em Defesa do Serviço Nacional de Saúde deu uma conferência de imprensa à porta do Pulido Valente, onde defendeu que a opção de ceder espaço para uma USF e de entregar os cuidados paliativos e continuados à Santa Casa faz parte de uma “estratégia de desmantelamento” daquele hospital.

Afirmando que não está em causa a forma como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa presta aqueles serviços, o porta-voz da Plataforma, Sebastião Santana, centrou a questão “na forma como o processo está a ser feito” e no “dinheiro que se vai gastar no final quando se podia estar a investir em mais camas na esfera pública”.

“A Santa Casa seguramente não vai fazer isto de forma gratuita”, acrescentou.