A Câmara de Lisboa colocou em consulta pública o projeto para a Segunda Circular, que prevê a plantação de 8.000 árvores, sem ouvir as autoridades aeronáuticas sobre os impactos do previsível aumento de aves perto do aeroporto.

A autarquia diz, contudo, que “a questão não se coloca”.


A Lusa questionou a autarquia sobre o facto de não ter ouvido as entidades ligadas à aviação sobre o impacto que poderá ter ao nível da segurança aérea o previsível aumento de aves naquela zona, potenciado pela plantação das mais de 8.000 árvores.

“A Segunda Circular passa junto ao Aeroporto de Lisboa e, nomeadamente nas áreas de aproximação, em viaduto, pelo que a questão não se coloca, pois aí no projeto não está previsto que haja árvores. De qualquer modo, já existem muitas zonas bastante arborizadas na área envolvente e próxima do aeroporto como a Mata de Alvalade, o Jardim do Campo Grande, o Hospital Júlio de Matos ou a zona dos Olivais”, explicou a autarquia.

O projeto, que está em consulta pública na página da internet do município até sexta-feira, contempla a plantação de 7.500 árvores na zona envolvente da Segunda Circular e mais de 500 exemplares ao longo do separador central.

Contactada pela agência, a Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) informou “não ter conhecimento do projeto”, razão pela qual o regulador do setor da aviação disse que “ainda não se poderá pronunciar” sobre o mesmo.

Numa resposta escrita enviada à Lusa, a NAV Portugal – empresa que gere o controlo do tráfego aéreo - sublinha que “não foi ouvida” pela autarquia acerca do projeto, escusando-se também a fazer comentários.
 

“Não conhecendo com pormenor o projeto, além daquilo que foi divulgado pela comunicação social, não nos poderemos pronunciar, pois desconhecemos qual o tipo de árvores que pretendem plantar, designadamente o seu porte no enfiamento da pista 03, bem como se são propensas ou não à ‘atração’ de grandes quantidades de aves”, acrescentou a NAV.


Fonte oficial do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves disse à Lusa que este organismo “não foi ouvido” pela Câmara de Lisboa acerca dos potenciais riscos que o natural aumento de aves numa zona próxima do aeroporto pode trazer para a segurança da aviação, na sequência da plantação dos milhares de árvores.

O presidente da Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea, contactado pela Lusa, também informou que os pilotos “não foram ouvidos pelo município” acerca desta situação.

Em declarações à Lusa, fonte oficial da ANA-Aeroportos, detida pelo grupo francês Vinci, admitiu ter “conhecimento da proposta”, mas referiu que “ainda não está na posse de todos os dados técnicos”, acrescentando que, “quando ou se tiver de se pronunciar, fá-lo-á diretamente à Câmara de Lisboa”.

Até à próxima sexta-feira está em consulta pública no ‘site’ da Câmara de Lisboa o projeto da maioria socialista no executivo para a Segunda Circular, que visa diminuir o tráfego de atravessamento na Segunda Circular através da reformulação de alguns acessos e dos nós de acesso ao IC19 (itinerário complementar) e à A1 (autoestrada), encaminhando o trânsito para a CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa).

O projeto prevê também a implantação de um separador central maior e arborizado, a redução da largura das vias, a montagem de barreiras acústicas, a reabilitação da drenagem, a renovação da iluminação pública e sinalética e a redução da velocidade, de 80 para 60 quilómetros/hora.