ACTUALIZADA ÀS 23h21

Mais de 10 mil docentes fizeram, este sábado, um cordão humano e concentraram-se à frente da Assembleia da República. Foram feitas várias críticas ao Governo, especialmente à Ministra da Educação, a qual acusam de não os querer ouvir.

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Os professores esperavam com esta iniciativa trazer consciência aos políticos, principalmente ao ministério da Educação, para que este se aperceba do desgaste psicológico a que os docentes estão sujeitos. Sentem-se pressionados e mal-tratados pelo ministério.

O cordão humano teve como objectivo mostrar a união entre os professores, que estão dispostos a lutar pelo bem das escolas e dos seus alunos.

«Nós queremos paz e tranquilidade», como afirmou ao tvi24.pt Maria Fernanda Cardoso Antunes, professora do primeiro ciclo em Abrantes.

«A avaliação tem que ser feita com tranquilidade», acrescentou a docente.

O grande envelope

Foi feito um abaixo-assinado com mais de 100 mil assinaturas, recolhidas em escolas de todo o país, e posto a circular, num envelope, ao longo de todo o cordão, com destino às mãos do primeiro-ministro. Este envelope veio na posse dos docentes do Norte e entregue aos de Lisboa no momento em que os dois cordões se ligaram.

«Os poucos que aqui estão representam os muitos que não puderam vir», afirmou Ilda Rodrigues, docente da escola Jaime Cortesão de Coimbra.

A luta continua

Enquanto discursava no palanque, em frente à Assembleia da República, Mário Nogueira deu os parabéns aos participantes. «Nunca nenhum cordão humano conseguiu fazer isto que nós hoje fizemos, foram dez mil professores a participar e mais uma vez mostrámos que estamos na rua porque o Governo não quer resolver os problemas», afirmou o secretário-geral da FENPROF.

«Este é um estatuto que degradou as condições do exercício da profissão, que desvalorizou os profissionais docentes, que criou conflitos na nossa profissão. É necessário um estatuto que dignifique os professores», continuou.

Mário Nogueira contou ainda que, na reunião sobre a avaliação do desempenho com a ministra Lurdes Rodrigues, esta adiantou que a agenda era aberta, mas as decisões já estavam fechadas. Este comunicado foi vaiado pelos manifestantes presentes.

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«Dizia-se no palanque que a ministra é surda... Ela não é surda, há um canal deficiente do ouvido ao cérebro, portanto não é o cérebro que está estragado, é o canal que está entupido, porque ela não tem a missão de preservar a escola, ela tem a missão pessoal e política de poupar dinheiro à nossa custa», comentou a professora Ilda Rodrigues.

O desentendimento entre docentes e ministra da Educação deve-se a uma diferença de dialectos, como foi referido, comentando-se que é impossivel perceber o dialecto Magalhanês em que fala a ministra, como discursou um dos manifestantes.