Por: Patrícia Pires | 2- 11- 2009 22: 30
As primeiras chuvas de Outono deixaram sinais preocupantes junto à Escola Secundária Artística António Arroio, em Lisboa.
Sinais esses que não passaram despercebidos a alguns encarregados de educação. Com medo que os filhos sofram represálias preferem
manter o anonimato, mas temem que um inverno rigoroso traga ainda mais problemas.
O edifício principal da escola
está a ser requalificado e, por isso, mesmo os alunos foram transferidos para o topo de um monte, a poucos metros do estabelecimento.
O problema é que os contentores, onde agora têm aulas, estão próximos de um grande declive e dois dias de chuva, em Outubro,
deixaram para trás fendas visíveis aos olhos de todos.
«Escola estava a par do assunto»
«Liguei para
a escola e pedi para falar com alguém da direcção», conta António (nome fictício) ao tvi24.pt. «Perguntaram qual era
o assunto e eu expliquei». Em nenhum momento, garante, pediram que se identificasse. «Esperei um a dois minutos e voltou ao
telefone a mesma pessoa que me tinha atendido. Disse que a chefe não estava, ou que não podia falar comigo, mas que a escola
estava a par do assunto e estavam a resolver a situação».
Perante aquela resposta exaltou-se: «Disse-lhe que se dentro
de uns dias não estivesse resolvido faria uma denúncia aos órgãos de comunicação social». Voltou a passar no local e até agora
«está quase tudo na mesma».
«Não há qualquer problema»
Na escola ninguém quis gravar para as câmaras
e lamentam que os pais tenham procurado os órgãos de comunicação social, em vez da escola. No entanto, fonte da direcção garantiu
ao tvi24.pt que «não há qualquer problema de estabilidade dos terrenos. A área foi aplanada e asfaltada. É verdade
que as chuvas provocaram algumas infiltrações, em alguns contentores, mas são coisas pontuais resolvidas de imediato».
O
facto dos contentores estarem colocados no topo de um monte não tem qualquer problema, diz a mesma fonte que faz questão de
acrescentar que, «todos os dias, engenheiros do parque escolar, responsáveis pela obra a decorrer no edifício principal, vão
fiscalizar a zona». Garantem mesmo que seriam os primeiros a agir, caso a segurança dos alunos estivesse em causa.
Sem
«perigo imediato»
Frederico Brotas de Carvalho é engenheiro civil e esteve com o tvi24.pt no local para
avaliar a situação. De momento, não vê «perigo imediato de queda ou deslizamento de terras», mas percebe a preocupação dos
pais perante «as evidências». No entanto, acrescenta que a «aparente fragilidade do terreno, implica uma vigilância constante
para que um Inverno mais rigoroso não tenha consequências mais graves» e o pior aconteça.
O tvi24.pt sabe
que alguns encarregados de educação estão a avaliar os riscos e vão contactar o estabelecimento de ensino para falar sobre
os seus temores.
A duração da obra no edifício principal é de apenas um ano lectivo, mas se esta obra seguir o exemplo
de outras requalificações escolares em curso, é provável que o provisório dure um pouco mais de tempo.
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