Os trabalhadores da Linha Saúde 24 vão pedir reuniões urgentes ao ministro da Saúde e aos grupos parlamentares e admitem outras «formas de luta», em protesto pela imposição de uma redução de salários.

Os trabalhadores reuniram-se em plenário no domingo, para avaliar a situação e, de acordo com um comunicado que divulgaram hoje, decidiram ainda pedir uma reunião com a Comissão Parlamentar de Saúde, pedir uma inspeção à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) e divulgar a situação junto da opinião pública.

Os trabalhadores repudiam «qualquer tentativa de retaliação ou despedimento de qualquer» pessoa já que, dizem, a administração da linha, além de impor uma redução de salários ameaça com a substituição, caso não aceitem o corte pretendido.

«Após anos a trabalhar para o Serviço Nacional de Saúde, no atendimento telefónico especializado de doentes, vimos a nossa dedicação e profissionalismo ser recompensada com a imposição unilateral de uma redução salarial», acusam os trabalhadores, explicando que a relação contratual com a empresa sempre foi «irregular», pelo que foi apresentada uma queixa junto da ACT.

Em declarações à agência Lusa na última sexta-feira, o enfermeiro Tiago Pinheiro, da comissão informal de comunicadores da Linha Saúde 24 - Linha de Cuidados de Saúde (LCS), disse que a empresa decidiu «impor unilateralmente» uma redução de cerca de 20% da remuneração, que passará a rondar os quatro a cinco euros/hora (valor líquido).

Tiago Pinheiro adiantou que a administração da linha, gerida agora pelo consórcio Optimus e Teleperformance, propõe ainda um corte de 50% na remuneração das horas diurnas especiais e nas horas noturnas.

«A resposta da LCS tem sido a de ameaça de substituição dos comunicadores que recusem a alteração de remuneração. O funcionamento da linha está em risco perante a ameaça de rescisão da empresa para com os cerca de 75% que refutam as condições apresentadas», dizem os trabalhadores como relata a Lusa.