O presidente da Câmara de Mirandela reconheceu esta sexta feira que é «adivinhável o encerramento» da linha do Tua e a construção da barragem que acaba com a ferrovia, pelo que o processo de referendo local não deverá ser retomado, segundo avança a Lusa.

No debate parlamentar desta quinta-feira promovido pelos «Verdes» para a classificação da ferrovia transmontana, o autarca transmontano lamenta acima de tudo «não saber qual a posição» do seu partido acerca da linha e que o PSD «nunca tenha clarificado» o assunto.

Após ter criticado o «nim» do seu partido à Linha do Tua, o autarca social-democrata, principal defensor da linha, «apreciou» a iniciativa do Partido Ecologista «Os Verdes» para o Governo desencadear o processo de classificação como património nacional que o PS já anunciou que irá chumbar. «Ao menos sei que o PS é a favor da barragem», acrescentou.

No entanto, o autarca não se mostra confiante no sucesso das suas reivindicações, visto que existe «uma barragem a querer ser construída» e «um primeiro-ministro a dizer que as barragens são um potencial de resolução da crise e um investimento tão forte que é necessário fazer na segurança da linha» do Tua.

Visto que o referendo que poderia influenciar as decisões não irá ser realizado, estas irão ser tomadas nas próximas semanas. O Tribunal Constitucional considerou, numa decisão conhecida esta quarta-feira, que a realização do referendo sobre a linha do Tua, proposta pela autarquia de Mirandela, é ilegal por colidir com os prazos de eleições gerais nacionais que vão suceder-se quase ao final do ano. Assim sendo, José Silvano entende que também o processo de auscultação da população está arrumado.

Retomar o referendo

Formalmente, só depois de todas as eleições nacionais, no final do ano ou já em 2010, é que será possível retomar o processo, o que o autarca admite ser um cenário improvável, tendo em conta as actuais circunstâncias e o facto de já estarem em funções outros órgãos autárquicos.

O referendo «já não tem sentido», reconhece o autarca social-democrata que está «pouco expectante» em relação ao futuro da linha do Tua e critica o comportamento do Governo neste dilema entre a barragem e a ferrovia.

Silvano não entende o dinheiro que está a ser gasto na manutenção da linha do Tua, que está encerrada desde o acidente de Agosto.

«Defeitos grosseiros» na infra-estrutura

Apesar disso, como não há uma decisão governamental conhecida sobre o futuro, o autarca, que é também presidente do Metro de Mirandela - que faz o transporte dos passageiros -, garantiu hoje que «três equipas continuam a fazer intervenções em bocados da linha, nomeadamente onde houve acidentes».

Silvano deixou claro que «jamais permitirá a reabertura da linha com apenas estas intervenções», tendo em conta que os últimos inquéritos aos acidentes revelaram «defeitos grosseiros» na infra-estrutura.

O autarca critica ainda a diferença de posições entre dois ministérios do mesmo Governo no processo. Ainda assim, «presumo que se o Governo tiver espírito de corpo, a decisão será aquela que é adivinhável: o encerramento (da linha)», declarou.

Declaração de Impacte Ambiental

De acordo com os prazos legais, a Declaração de Impacte Ambiental sobre a barragem deverá ser emitida até Maio, e se for favorável implicará a desactivação imediata dos últimos quatro quilómetros, cortando a ligação à linha do Douro e ao litoral.

Depois da decisão tomada sobre a barragem, o presidente da Câmara de Mirandela prevê novas «guerras», desta feita entre os autarcas que defendem a barragem.

Dos cinco servidos pela linha do Tua, apenas José Silvano defende a linha, mas ainda está para ver como irão resolver a questão da cota. «Dos quatro, um defende uma cota de 170 (metros) e os outros a máxima, eu quero ver como é que depois se vão entender», questionou.

«Só se quisessem fazer um canal da mancha sob a barragem para a linha continuar a sair no Tua», ironizou.