O conselho de administração da CP – Comboios de Portugal pediu uma audiência, com caráter de urgência, ao Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, para que sejam tomadas medidas que salvaguardem a segurança de clientes e funcionários.

A decisão surge após a administração ter tido conhecimento, “com muita preocupação”, de uma agressão a um revisor da empresa, com cerca de 40 anos e em exercício de funções, alegadamente cometida por um grupo de cerca de três dezenas de jovens, ao início da noite de terça-feira, na Damaia, Amadora.

Esta agressão revestiu-se de particular gravidade, pela sua dimensão e violência, tendo este trabalhador da CP sido assistido por uma equipa do INEM no local e, posteriormente, no hospital. A CP continua a acompanhar a evolução deste caso, prestando ao trabalhador em causa a assistência necessária”, explica a empresa, em comunicado.

Face a “este caso extremo”, a administração da CP informa que já solicitou uma audiência ao Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública, "com caráter de urgência, para que sejam tomadas as medidas adequadas, que possam garantir a segurança de clientes e funcionários da CP a bordo dos seus comboios”.

Os serviços urbanos da CP em Lisboa asseguram anualmente o transporte de mais de 75 milhões de passageiros, sendo que, no período de verão se registam picos de procura.

Contactado pela agência Lusa, o Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP confirma a receção do pedido para a reunião.

O Cometlis anunciou que reforçou hoje o policiamento junto às praias, principalmente da Linha de Cascais, assim como nos transportes públicos, nomeadamente nos comboios que circulam nas Linhas de Cascais e Sintra.

Este reforço de policiamento será “mais efetivo e acentuado” a partir da próxima semana, quando terá início a operação “Verão Seguro”.

Em relação às agressões ao revisor, o Cometlis diz que continuam as investigações, com a inquirição de testemunhas e a visualização das imagens gravadas no interior do comboio, acrescentando que, até ao momento, “não há suspeitos identificados”.

Luís Bravo, do Sindicato Ferroviário da Revisão e Comercial Itinerante (SFRCI), relatou à Lusa que a vítima teve alta do Hospital Amadora/Sintra por volta das 2:00, e está em casa de baixa médica a recuperar “da agressão violenta que envolveu pontapés e murros na cara”.

O dirigente sindical contou que o episódio de violência aconteceu pelas 20:30, quando o revisor tentou proteger os passageiros e interveio no sentido de parar os desacatos que o grupo de 20/30 jovens estaria a provocar junto das pessoas que estavam no comboio.

Segundo Luís Bravo, parte deste grupo saiu na estação da Damaia, enquanto os restantes seguiram noutro comboio em direção a Rio de Mouro, na Linha de Sintra, “onde continuaram a provocar mais desacatos”.

O sindicalista disse que estas situações são mais recorrentes no período das férias escolares, e anuncia que a direção deste sindicato vai pedir um reforço policial.

O SFRCI vai usar todos os meios ao seu dispor, para que o comando da PSP decida o mais rapidamente possível pela colocação do Corpo de Intervenção nas estações e comboios na zona urbana de Lisboa, pois o clima de impunidade não pode prevalecer perante criminosos que põem em causa a segurança de trabalhadores e clientes da CP”, alertou Luís Bravo.