O presidente da Liga de Bombeiros, Jaime Marta Soares, saúda “a iniciativa da Polícia Judiciária” de o ouvir para expor as suas dúvidas sobre a tese de causas naturais para a origem do fogo em Pedrógão Grande, que matou pelo menos 64 pessoas e feriu e mais de duas centenas.

Em declarações à TVI, Jaime Marta Soares diz que não foi ainda notificado pela PJ, mas soube dessa intenção pela comunicação social e mostrou-se disponível para prestar esses esclarecimentos.

As minhas declarações foram ditas de manhã. Posso é concluir, daquilo que ouvi na comunicação social, que a PJ vai abrir um inquérito para apurar aquilo que se passou. (…) Não estou surpreendido. Quero é saudar essa iniciativa da Polícia Judiciária.”

Jaime Marta Soares mantém as declarações que fez, esta quarta-feira de manhã, no Fórum da TSF, onde disse estar convicto que o fogo teve origem criminosa.

O incêndio já estava a decorrer há cerca de duas horas, quando efetivamente se deu esse problema com os raios que provocaram um conjunto de ignições a acrescer àquele incêndio, que já era de uma violência extraordinária. Tenho para mim (e não sou eu que tenho de provar nada. Têm é de me provar que eu não terei razão) de que o incêndio teve origem em mão criminosa", disse, no Fórum TSF, esta quarta-feira de manhã.

 

Há situações que, se as formos apurar, já havia vigilância muito próxima e, se calhar, não estaria muito longe de alguém poder vir a ser detido por um conjunto de situações, que naquela proximidade, na proximidade daquele incêndio, já tinham acontecido”, acrescentou.

Depois destas declarações, a PJ já terá feito saber que quer ouvir Jaime Marta Soares e saber como chegou a estas conclusões, de acordo com o jornal Expresso.

Esta quarta-feira à tarde, em declarações telefónicas à TVI, Marta Soares escusou-se a repetir as declarações, mas deixou claro que as mantém. “Guarda as suspeitas para quando for ouvido na polícia Judiciária”, disse.

Instigado a comentar a rápida conclusão da PJ, que aponta para uma trovoada, como a origem do fogo, Marta Soares responde: “Quem sou eu para por em causa aqueles que são as convicções da Polícia Judiciária. Mas tenho para mim que há algo que me surpreende e essa minha surpresa tem de merecer, da parte de quem de direito, a devida análise.”

Jaime Marta Soares disse ainda que os bombeiros irão fazer uma análise minunciosa sobre o que correu bem e o que correu mal no combate a este fogo. “Já o fizemos no passado, com incêndios de menor dimensão, e vamos voltar a fazê-lo agora”, disse.

A Polícia Judiciária está a investigar a origem do fogo, assim como as circunstâncias em que morreram 64 pessoas, na sequência do fogo que começou em Pedrógão Grande. Logo no domingo, Almeida Rodrigues, diretor da Polícia Judiciária, afirmou que as autoridades policiais tinham conseguido “determinar a origem do incêndio” e que tudo apontava “muito claramente para causas naturais”. Terá mesmo sido encontrada a “a árvore que foi atingida por um raio” e onde o fogo terá começado.