O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses disse esta quinta-feira estar “satisfeito” com o dispositivo de combate a incêndios para este ano, mas voltou a lamentar que não tenham sido ouvidos.

Jaime Marta Soares reagia assim em declarações à agência Lusa ao anúncio de que a época mais crítica em incêndios florestais vai contar este ano com um total de 9.708 operacionais, 2.235 equipas, 2.043 viaturas e 47 meios aéreos, um dispositivo idêntico ao de 2015.

O DECIF [Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais] de 2015 foi bom, o melhor de sempre em recursos humanos, em equipamentos. Tivemos também mais exercícios com outras forças no terreno, com o exército e máquinas de rasto. Isto leva-nos a dizer com garantia de que foi o melhor dispositivo de sempre”, salientou o responsável.

O presidente da Liga lembrou que 2015 foi um ano “terrível, dos piores das últimas duas décadas” em termos de altas temperaturas, baixa humidade e ventos atípicos.

“Quero salientar também que depois de todas as dificuldades, das situações difíceis ainda conseguimos diminuir em relação à média dos últimos 10 anos cerca de 35% da área ardida, o que nos permite dizer que o dispositivo foi um êxito e funcionou bem”, disse.

Por isso, salientou Jaime Marta Soares, se o DECIF de 2016 não puder ser melhor, pelo menos que seja igual ao de 2015 em termos de bom funcionamento.

O presidente da Liga disse contudo lamentar que a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) não se tenha reunido com a Liga e outras entidades antes de divulgar o DECIF.

“O DECIF para 2016 satisfaz-nos. O que não nos satisfaz é a tática da ANPC em não ouvir a Liga antes colocar na rua o documento. A Liga representa centenas de bombeiros e deveria dar o seu contributo”, disse, acrescentando que o documento lhe chegou às mãos 15 dias antes da data de divulgação.

O Dispositivo vai ser hoje apresentado na ANPC numa sessão pública que vai contar com a presença da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

Numa época de incêndios que começa a 15 de maio e termina a 15 de outubro, os meios de combate vão estar disponíveis de forma faseada, estando na sua capacidade máxima entre 01 de julho e 30 de setembro, a chamada “fase Charlie”.

A época mais crítica em incêndios florestais vai contar com 47 meios aéreos, enquanto nas restantes fases são 34 as aeronaves disponíveis, segundo os pontos principais do DECIF, a que a agência Lusa teve acesso.

No entanto, o DECIF deste ano garante a possibilidade de antecipar em 15 dias a operação dos aviões bombardeios pesados, podendo estas seis aeronaves integrar o dispositivo nos primeiros dias de junho caso seja necessário.

Em 2015, ano em que a severidade meteorológica foi a terceira mais severa dos últimos 16 anos, a ANPC registou 15.505 ocorrências de fogo, que causaram 60.916 hectares de área ardida