Os ucranianos radicados em Portugal vão manifestar-se quinta-feira em frente à embaixada dos Estados Unidos em Lisboa para pedir sanções económicas, na sequência do agravamento dos confrontos em Kiev, que já causaram pelo menos 30 mortos.

Violentos confrontos em Kiev fazem vários mortos

Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente da Associação dos Ucranianos de Portugal, Pavlo Sadokha, adiantou que a decisão de avançar com uma manifestação quinta-feira às 14:00 junto à embaixada dos Estados Unidos em Lisboa tem por objetivo chamar a atenção para a situação «cada vez mais grave» em que se encontra o povo ucraniano e para a necessidade de avançar com sanções económicas contra o país.

Na terça-feira, mais de 20 pessoas morreram nos violentos confrontos em Kiev, encontrando-se a Praça da Independência, conhecida como Maidán, cercada pela polícia.

«Ficámos muito preocupados. Soubemos logo das primeiras mortes que aconteceram ontem [terça-feira] e hoje já temos a informação de que há pelo menos 30 mortos (...) e mais de 500 feridos nos confrontos», disse o presidente da associação.

Pavlo Sadokha adiantou que a associação esteve reunida na terça-feira com vários representantes da comunidade ucraniana em Portugal, encontro no qual decidiram avançar também com um novo apelo de apoio aos portugueses.

«Fazemos um apelo ao povo português, ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e aos grupos parlamentares para agirem de uma forma mais direta, não só com palavras, mas de forma mais direta e forte», disse, salientando que o que está a acontecer na Ucrânia também é responsabilidade do mundo ocidental.

Pavlo Sadokha lembrou que há três meses, quando os confrontos começaram, a associação enviou cartas e fez apelos aos políticos portugueses, tendo tido apenas «apoio moral» por parte dos grupos parlamentares.

«O mundo ocidental não agiu de forma a travar os bandidos do regime do Presidente ucraniano, Viktor Yanukovych», declarou.

Pavlo Sadokha relatou ainda à Lusa que tem estado em contacto com familiares e amigos que estão em Kiev e que lhe têm transmitido «um cenário de medo».

«Falei com familiares e amigos e eles estão cheios de medo. O povo já não aguenta mais. Têm medo de ser perseguidos e apanhados pela polícia», afirmou, acrescentando que a situação na Ucrânia não vai melhorar porque o Presidente já «mostrou claramente que não vai demitir-se».

O presidente da Associação de Ucranianos de Portugal disse ainda que não acredita que o país avance para uma guerra civil, apesar da crescente tensão.

«Não é uma guerra civil, é uma guerra contra uns mafiosos que tomaram conta do poder e é uma guerra de Viktor Yanukovych contra o povo ucraniano», concluiu.

A crise política na Ucrânia começou em finais de novembro passado, quando milhares de pessoas saíram para as ruas para protestar contra a decisão do Presidente Viktor Ianukovitch de suspender os preparativos para a assinatura de um acordo de associação com a União Europeia, tendo o chefe de Estado ucraniano uma posição pró-Rússia.