O dispositivo aéreo de combate a incêndios florestais conta atualmente com menos seis aeronaves do que as 30 inicialmente planeadas, revelou à Lusa a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC). E "neste momento está apenas em condições de plena operacionalidade um dos cinco Kamov da frota do Estado”, refere a entidade.

Numa reposta enviada à agência Lusa, a ANPC refere que estão em falta quatro helicópteros Kamov e dois aviões Canadair.

O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) previa que a fase “Bravo”, iniciada a 15 de maio e que termina a 30 de junho, tivesse disponíveis 30 meios aéreos desde 15 junho.

A partir de sábado, o DECIF estabelece que os meios aéreos passem para 34, número total de aeronaves previstas para esta fase, considerada a segunda mais crítica dos incêndios florestais.

“Atualmente, o dispositivo aéreo conta com 24 aeronaves a operar das 30 inicialmente planeadas para esta fase. Face ao previsto na Diretiva Operacional Nacional (DON) relativa ao DECIF, estão em falta quatro Kamov e dois Canadair”, explica a ANPC.


Contudo, a Proteção Civil adianta que dois Canadair e outros dois aviões “estão em processo final de contratualização, aguardando o visto do Tribunal de Contas”.


Apenas um dos cinco Kamov em condições de plena operacionalidade


Num comunicado divulgado na quinta-feira, a ANPC informou que apenas um dos cinco helicópteros Kamov da frota do Estado está operacional e não garante a entrada de outras duas aeronaves no dispositivo de combate a incêndios deste ano.

“Neste momento está apenas em condições de plena operacionalidade um dos cinco Kamov da frota do Estado”, referiu a ANPC, adiantando que duas aeronaves vão ser reparadas num “curto espaço de tempo” e as outras duas requerem intervenções mais profundas, “não sendo possível garantir a sua entrada no atual dispositivo”.

Para compensar a falta destes meios, a Proteção Civil sublinhou que foram adotadas medidas alternativas que “passam pela antecipação da entrada de meios aéreos no dispositivo, nomeadamente helicópteros ligeiros e aviões bombardeios médios”, cita a Lusa.

Esta situação com os helicópteros deve-se, segundo a ANPC, ao processo de transferência, iniciado em março, dos Kamov para a empresa Everjets, que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos para os próximos quatro anos.

Durante este processo, a ANPC detetou “não conformidades graves no estado das aeronaves”, que ditaram “a impossibilidade de os helicópteros estarem em plena condição de serem operados”.

O DECIF prevê um total de 49 meios aéreos para a época mais crítica em fogos, entre 01 de julho e 30 de setembro.