A procuradora do Ministério Público (MP) pediu hoje uma “resposta firme do tribunal” para uma mulher e um jovem acusados de roubar e matar um homem de 90 anos em 2017, em Vila Nova de Gaia, no Porto.

“Penas que garantam à sociedade que fica protegida de indivíduos como estes durante muitos anos”, disse durante as alegações finais, no Tribunal de Vila Nova de Gaia.

Segundo a acusação, a que a Lusa teve acesso, a mulher, de 34 anos, desempregada, conhecia bem a vítima mortal que, por vezes, a ajudava a pagar as contas e, agindo com o propósito de lhe roubar objetos de valor e cartões bancários, entrou na casa do homem, que vivia sozinho, com o filho de 14 anos e com um rapaz de 26 anos e agrediram-no violentamente, provocando-lhe a morte.

Antes de o matarem, os arguidos apropriaram-se de diversos objetos em ouro e prata, relógios e telemóveis, que depois venderam, e coagiram a vítima a fornecer-lhes os códigos dos cartões multibanco, tendo posteriormente levantado dinheiro, salienta acusação.

O corpo do homem só foi encontrado a 17 de abril, amarrado à cama, depois de familiares estranharem a falta de notícias suas.

Dizendo que o crime foi cometido de forma “fria e sanguinária”, a procuradora pediu uma “resposta firme do tribunal” para que os arguidos tenham “muito tempo” para interiorizarem o que fizeram, sublinhando que nenhum mostrou “qualquer arrependimento” em audiência de julgamento.

Reforçando a “malvadez” do crime, a procuradora frisou que a sociedade não tem como lidar com uma “frieza” desta natureza, nem pode compactuar com ela, tendo-se de proteger.

“É um homicídio muito violento, além disso levaram um menor de 14 anos, filho da arguida, o que lhes há de pesar na consciência até à eternidade”, salientou.

Além de demonstrarem total desprezo pela vida humana e pela formação de uma criança, os arguidos mostraram ter uma “personalidade desconforme”, considerou.

Perante o coletivo de juízes, no início do julgamento a 11 de abril, os arguidos apresentaram versões contraditórias dos factos, acusando-se mutuamente.

Os arguidos estão em prisão preventiva – medida de coação mais gravosa -, indiciados pelos crimes de homicídio qualificado, roubo e burla informática.

A leitura da decisão judicial ficou agendada para 24 de maio, às 09:15.