O Ministério Público (MP) no Tribunal de Braga pediu uma pena não inferior a 10 anos de prisão para uma mulher acusada de matar o companheiro à facada, em maio de 2013, na habitação do casal.

A arguida, de 50 anos, era acusada de homicídio qualificado, mas esta quarta-feira o MP pediu a sua condenação por homicídio simples, face à confissão dos factos e ao historial de violência entre o casal, com agressões mútuas.

A defesa da arguida alegou que em causa estará um crime de ofensa à integridade física, agravada pelo resultado morte.

Um resultado que, ainda segundo a defesa, poderá ter sido precipitado pelos problemas hepáticos da vítima.

A leitura do acórdão está marcada para 28 de abril.

No julgamento, a arguida alegou que momentos antes do crime tinha sido agredida pelo companheiro, mas garantiu que nunca lhe passou pela cabeça «espetar-lhe a faca».

«Apenas o queria intimidar, para que ele me deixasse em paz, me parasse de agredir. Nunca me passou pela cabeça espetar-lhe a faca, nunca tive intenção de o matar», referiu.

Admitiu que, no dia dos factos, registados a 14 de maio de 2013, tanto ela como ele tinham estado a beber.

Segundo os exames realizados, o homem tinha uma taxa de alcoolemia de 1,16 gramas por litro de sangue e a mulher 0,98.

A arguida disse ainda que, momentos antes, ele já a tinha agredido com uma chave de fendas, já lhe tinha atirado vinho que estava num copo e também já tinha tentado dar-lhe com um copo na cabeça.

Contou que, nessa altura, estava com uma faca na mão e se dirigiu ao companheiro dizendo-lhe «o que tu merecias era isto».

«Sempre pensei que ele se desviasse, mas ele não se desviou», referiu.

Garantiu que o companheiro era «ciumento compulsivo» e que «tinha mau feito por natureza», mas «quando bebia ficava possesso», agredindo-a física e verbalmente, de forma sistemática.

Segundo a acusação, o homem terá atirado um copo de vinho à companheira e esta respondeu esfaqueando-o no abdómen, usando de uma «violência» tal que lhe provocou «uma grande laceração» no fígado.

A faca utilizada tinha uma lâmina de 10 centímetros de comprimento e de dois centímetros de largura na sua base.

O homem foi transportado para o hospital ainda com vida, mas acabou por morrer no decurso da operação a que estava a ser submetido.

Após o crime, a mulher barricou-se em casa e ter-se-á tentado suicidar, através da ingestão de medicamentos.

No dia seguinte, bombeiros e polícia entraram «à força» na habitação e levaram a mulher para o hospital, antes de ser detida.

Com um filho de 10 anos, que entretanto lhe foi retirado e confiado aos cuidados de uma tia, o casal consumia habitualmente bebidas alcoólicas e eram frequentes as discussões e agressões entre ambos.

A polícia foi chamada mais de uma dúzia de vezes à habitação e os vizinhos chegaram mesmo a promover um abaixo-assinado exigindo que o casal fosse «corrido» do local.