Um jovem de 19 anos acusado de homicídio qualificado pela morte de uma familiar, de 74 anos, no concelho de Miranda do Corvo, em março de 2013, disse esta quinta-feira no Tribunal da Lousã que não tinha intenção de matar.

Maria do Carmo Ventura, viúva, que residia sozinha, na localidade de Casais de São Clemente, na freguesia de Lamas, foi encontrada morta no dia 05 de março do ano passado, deitada na cama, com «sinais de violência», sem o fio e os brincos de ouro que usava diariamente.

Três dias depois do crime, a Polícia Judiciária deteve o sobrinho da vítima, residente na mesma localidade, que depois do assassinato vendeu, em Coimbra, as peças em ouro por 305 euros.

Na primeira sessão do julgamento, quando confrontado com a acusação do Ministério Público de premeditação do crime, o arguido afirmou perante o coletivo de juízes que queria «apenas roubar» a tia-avó e não tinha «intenção de matar».

O jovem confessou quase todos factos constantes da acusação, mas discordou que tivesse um plano para matar a familiar, com quem tinha estado menos de 48 horas antes do crime.

Perante o tribunal, disse que foi ameaçado por um falso amigo, para que «lhe arranjasse 275 euros, por causa de umas dívidas de droga», caso contrário faria mal à mãe do arguido.

«Só pensava na minha mãe e resolvi arranjar o dinheiro. E naquela madrugada apenas pensei em ir roubar o ouro da minha tia, que estava a dormir», contou o jovem, como reporta a Lusa.

Esta versão, no entanto, foi contrariada por um recluso da penitenciária de Sintra, que conheceu o arguido o ano passado em Coimbra, aquando da sua detenção, numa zona prisional da Polícia Judiciária.

Através de videoconferência, o recluso disse ao coletivo de juízes que o réu lhe contou que tinha premeditado o crime com o objetivo de roubar o ouro e assim ajudar um amigo que vendia droga.

O jovem de Casais de São Clemente, que já tinha antecedentes criminais, encontra-se em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Leiria.