Duas testemunhas afirmaram esta sexta-feira terem visto um dos dois acusados da autoria dos incêndios florestais da Serra do Caramulo no café, na noite de 20 para 21 de agosto de 2013, pouco depois de terem sabido que havia fogo.

A acusação refere que, nessa noite, Luís Patrick e Fernando Marinho andaram de mota pela serra a atear vários focos, que resultaram nos incêndios de Alcofra, Meruge e Silvares, tendo o primeiro alerta sido dado às 23:54.

Na sétima sessão do julgamento, que decorre na secção de proximidade de Vouzela, foi ouvida, por videoconferência, Elisabete dos Anjos, emigrante em França e que no verão costuma passar férias em Ribeira de Alcofra, na casa da mãe.

A mulher contou que nessa noite terá chegado ao café «mais ou menos às 23:40», juntamente com a mãe, o marido, os filhos, um irmão, a cunhada e um sobrinho (num total de nove pessoas) e que, perto da meia-noite, o dono do estabelecimento recebeu um telefonema a informar do fogo.

Contou que, quando já estava com a família numa sala do café usada para jogar «snooker», viu Luís Patrick a entrar no estabelecimento e dirigir-se ao balcão, «mais ou menos às 00:20».

Em primeiro, Elisabete dos Anjos disse que Luís Patrick se dirigiu ao balcão e falou com a dona do café, mas quando foi informada de que a mulher garantiu em tribunal não ter visto o arguido nessa noite, admitiu que afinal não tinha a certeza «se era ela ou o dono».

O juiz presidente advertiu a testemunha de que, apesar de se encontrar em França, estava obrigada a dizer a verdade ou então poderia ser instaurado um inquérito para averiguar a eventual prática de um crime de falsas declarações (tal como já aconteceu relativamente a outras duas testemunhas de Luís Patrick).

Referindo-se ao dono do café, à mulher e ao filho deste, o juiz lembrou que os três garantiram em tribunal que nessa noite havia pouca gente no estabelecimento e que fecharam cerca da meia-noite, depois de terem sabido do incêndio.

Como Elisabete dos Anjos manteve a sua versão, a GNR foi buscar a mãe dela, Maria dos Anjos, a casa, para depor. No caminho entre Alcofra e Vouzela, esta recebeu um telefonema da filha, presenciado pelos militares que a acompanharam.

Maria dos Anjos garantiu que só falou com a filha acerca de uma carta registada de que estavam à espera, mas o juiz considerou «extraordinário» que, não se falando as duas há cerca de oito dias, Elisabete tivesse decidido telefonar-lhe minutos depois de ter sido ouvida em videoconferência.

A mulher confirmou ter estado no café com a família, ter visto Luís Patrick no balcão e ouvido a sua voz. Mais tarde, admitiu que já o foi visitar «duas ou três vezes à prisão», com uma neta que foi namorada dele e que, pelo menos numa das viagens, apanhou boleia do pai do arguido.

Antes, também Elisabete tinha confirmado a existência de um namoro entre a sobrinha e Luís Patrick e admitido que foi a pedido deste que, em outubro de 2013, se deslocou à Polícia Judiciária de Aveiro para prestar declarações.

No entanto, assegurou que Luís Patrick não lhe pediu para ela dizer que o tinha visto.

Luís Patrick e Fernando Marinho estão acusados, em coautoria, de um crime de incêndio florestal, de quatro homicídios qualificados e de 13 de ofensa à integridade física qualificada. Sobre o primeiro recai também a acusação de condução sem qualificação legal.

A próxima sessão ficou marcada para 02 de dezembro, devendo nesse dia ser feitas as alegações finais.