Vinte dos 27 elementos de um grupo violento, designado por "grupo de Chelas", acusados de associação criminosa, roubo, extorsão, rapto, ofensas à integridade física e tráfico de droga, remeteram-se esta segunda-feira ao silêncio no início do julgamento.

Na primeira sessão, que decorreu hoje no Tribunal Central de Lisboa, no Campus da Justiça, cinco dos arguidos faltaram, tendo apenas dois prestado declarações ao coletivo de juízes.

Dos 27 arguidos, com idades entre os 24 e os 65 anos, seis encontram-se em prisão preventiva, entre os quais um soldado do Exército português, detido atualmente no Estabelecimento Prisional Militar de Tomar.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), os arguidos "constituíram, entre 2010 e 2014, um grupo violento" com o objetivo de "dominarem determinados espaços de centros comerciais e de estabelecimentos de diversão noturna" como forma de praticarem roubos e tráfico de droga.

"O grupo revelava enorme perigosidade e atividade criminosa regular, vivia dos proventos dessa atividade, utilizava armas de fogo e exigia avenças semanais ou mensais a determinadas pessoas como forma de pagamento de serviços de ‘segurança' que mais não eram do que o domínio do espaço pretendido nos estabelecimentos noturnos, o que lhes permitia o desenvolvimento dessas atividades", sustenta o MP.


Os arguidos, segundo a acusação, "agiam sob a chefia de um líder e desenvolviam a atividade criminosa através de vários grupos operacionais cujos membros revelavam capacidade de rotatividade e especial mobilidade".

esta segunda-feira, um dos arguidos negou fazer parte desta alegada associação criminosa e o envolvimento num dos episódios de violência ocorrido na noite de 09 de novembro de 2013, quando 10 dos arguidos terão agredido violentamente, na rua, um segurança de uma discoteca de Lisboa.

Um outro arguido, que responde apenas por um crime de detenção de arma proibida, assumiu que tinha um bastão extensível no seu carro, quando foi abordado pela polícia.

O alegado líder do grupo é suspeito de ter ligações a outros elementos que cometeriam o mesmo tipo de crimes no Brasil e na Guiné.

Este grupo, designado na investigação como "grupo de Chelas" tinha, de acordo com o MP, "enraizamento e implantação com base numa subcultura de violência, agia com coesão e utilizava alcunhas ou ‘nicknames' para dificultar a identificação".

Alguns dos arguidos, incluindo o alegado líder, respondem também por homicídio qualificado na forma tentada.

Seis dos elementos, incluindo o suposto líder desta associação criminosa, foram detidos em janeiro de 2014.