Dois homens acusados de terem matado uma mulher de 89 anos e agredido violentamente outra, de 83, durante um assalto em junho de 2014, em Lisboa, começam a ser julgados a 19 de maio, no Campus da Justiça.

A acusação do Ministério Público (MP), a que a agência Lusa teve acesso, diz que os arguidos, a 30 de junho de 2014, deslocaram-se à residência de duas idosas, de 89 e 83 anos, a pretexto de recuperarem um balde de tinta que ali deixaram duas semanas antes, durante a realização de obras na casa, ocasião em que verificaram que as vítimas viviam sozinhas e que tinham valores e dinheiro.

Munidos de um frasco de amoníaco, “que levaram para deixar as vítimas inanimadas”, e de uma navalha de pequenas dimensões, já no interior da residência, os homens amarraram as mãos e os pés das idosas com pedaços de lençol, em quartos separados, e colocaram na boca de ambas tecido embebido daquele produto, até perderem os sentidos.


Blandina Braga terá morrido vítima de asfixia, enquanto Miquelina Bento recuperou os sentidos, libertou-se dos panos que a amarravam e conseguiu pedir ajuda aos vizinhos.

A acusação indica que os arguidos conseguiram levar da casa das duas idosas, na rua Dr. Oliveira Ramos, pelo menos, três anéis e um fio, ambos em ouro, um fio em prata e uma medalha de Nossa Senhora de Fátima, avaliada em 300 euros, além de um cartão de multibanco.

A investigação apurou, ainda, que os dois arguidos, na tarde de 24 de junho, a pretexto de alugarem um quarto, conseguiram atrair o proprietário de um imóvel ao local para que este lhes mostrasse o apartamento, situado na Rua D. Filipa de Lencastre, em Odivelas.

Chegados à porta de entrada, um dos arguidos “empurrou” o proprietário do imóvel para a casa de banho, onde, o outro suspeito o agarrou e lhe desferiu “pequenos golpes no pescoço”.

Após ameaças e agressões, ao aperceberem-se que o homem não tinha consigo cartões multibanco, um dos arguidos “desferiu com a faca um golpe profundo no pescoço da vítima, "com o intuito de lhe tirar a vida, para que não os reconhecesse”, defende o MP. O homem foi socorrido a tempo.

Os arguidos, de 44 e 51 anos, ambos de nacionalidade brasileira, foram detidos no Aeroporto de Lisboa quando tentavam embarcar para o Brasil. Um deles já estava no interior do avião.

Os dois homens, que estão em prisão preventiva, estão acusados de um crime de homicídio qualificado, dois de homicídio qualificado na forma tentada, três de roubo agravado e um de rapto.