O ex-primeiro-ministro José Sócrates justificou este sábado a sua visita à cadeia de Évora com "a obrigação moral" de visitar "os amigos que deixou na prisão", dar as boas festas e cumprimentar os guardas que o trataram bem.

No final da visita, que durou mais de uma hora, Sócrates admitiu aos jornalistas que se tratou de "um momento especial", observando que tinha "o dever" de visitar os amigos que deixou na prisão e "desejar as boas festas" nesta época natalícia.

O antigo líder do PS refutou qualquer cariz político nesta iniciativa, sublinhando tratar-se de uma "obrigação moral" de quem deixou amigos na prisão.

Sócrates esteve em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora durante mais de nove meses, indiciado pelos crimes de corrupção passiva, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

O ex-primeiro-ministro, que esteve acompanhado dos seus advogados de defesa, João Araújo e Pedro Delille, disse ainda ter sido "muito bem tratado" pelos guardas prisionais, a quem também desejou boas festas.

José Sócrates foi detido a 21 de novembro de 2014, no aeroporto de Lisboa, no âmbito da investigação "Operação Marquês", tendo ficado preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora.

A medida de coação foi alterada para prisão domiciliária, com vigilância policial, a 04 de setembro de 2015, e foi libertado a 16 de outubro último.

Além de Sócrates, são arguidos no processo o ex-ministro socialista Armando Vara, a filha deste, Bárbara Vara, assim como Carlos Santos Silva, empresário e amigo de longa data do ex-primeiro-ministro, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista do ex-líder do PS, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Inês do Rosário (mulher de Carlos Santos Silva), o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro.

Os investigadores - que suspeitam que Sócrates é o verdadeiro titular dos vários milhões de euros encontrados nas contas de Carlos Santos Silva - pretendem ainda inquirir o empresário luso-angolano Hélder Bataglia (ausente em Angola) sobre pagamentos e transferências de verbas relacionadas com o empreendimento de Vale de Lobo, Algarve.