O antigo primeiro-ministro e arguido no processo operação Marquês, José Sócrates, requereu a abertura de instrução do processo, à semelhança de outros acusados, apurou a TVI24 junto de fionte da Procuradoria-Geral da República.

Ao que a TVI24 apurou, o requerimento foi enviado "por fax e por mail", na "quinta-feira, ao final do dia".

Até ao momento, apesar das tentativas, não foi ainda possível conhecer os fundamentos globais que sustentam o pedido de abertura de instrução do processo por parte do antigo primeiro-ministro.

O prazo para o pedido de abertutra de instrução terminava à meia-noite de quinta-feira e antes, vários outros arguidos já tinham requerido idêntica medida.

Outros pedidos

Segundo informações do gabinete de imprensa da Procuradoria-Geral da República, já haviam dado entrada os requerimentos do antigo ministro socialista e ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos, Armando Vara, e de Sofia Fava, ex-mulher de José Sócrates.

Armando Vara e Sofia Fava, antiga mulher de José Sócrates, juntaram-se assim aos arguidos Henrique Granadeiro e Zeinal Bava (ex-administradores da PT), Joaquim Barroca (administrador do grupo Lena), Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro, Gonçalo Ferreira e Bárbara Vara, que também pediram a abertura de instrução, uma fase processual facultativa que é dirigida por um juiz, que decidirá quem deve (ou não) ir a julgamento.

Na quinta-feira, foi a vez dos arguidos Carlos Santos Silva, José Paulo Pinto de Sousa, José Diogo Gaspar Ferreira e a empresa Pepelan pedirem a abertura de instrução no processo Operação Marquês e, mais tarde, do antigo primeiro-ministro José Sócrates.

Acusação a Sócrates

A Operação Marquês tem como principal arguido o ex-primeiro-ministro, que está acusado de 31 crimes de corrupção passiva, falsificação de documentos, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

O inquérito da Operação Marquês culminou na acusação a 28 arguidos - 19 pessoas e nove empresas - e está relacionado com a prática de quase duas centenas de crimes de natureza económico-financeira.

Sócrates, que chegou a estar preso preventivamente durante dez meses e depois em prisão domiciliária, está acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

A acusação sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santos (GES) e na PT, bem como por garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.