A Defesa de José Sócrates declarou esta quinta-feira que as novas investigações do Ministério Público dizem respeito a factos com que o arguido não foi confrontado, como pretexto para o alargamento do prazo para o encerramento do inquérito.

O Ministério Público realizou esta quinta-feira buscas em duas instituições bancárias no âmbito da Operação Marquês, para recolher elementos de prova relativos a "serviços prestados pela Caixa BI e pelo antigo BESI (atual Haitong) a um cliente".

Num comunicado divulgado esta quinta-feira à noite, os advogados de Sócrates, João Araújo e Pedro Delille, afirmam que “as investigações agora alardeadas, em torno de negócios da Portugal Telecom, se disserem respeito a factos, têm a ver com suspeitas com que o engenheiro José Sócrates jamais foi confrontado e servem apenas para, acolhendo-as ao ‘Processo Marquês’, pretextar razões que expliquem a nova violação, que se adivinha, de mais um prazo para o encerramento do inquérito”.

“E, entretanto, pretende o Ministério Público continuar a fazer novas diligências e a lançar para o espaço público novas suspeitas, que, neste quadro processual, não passam de mais insultos”, adianta a nota.

Quanto às buscas desta quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR), disse não estar em causa a responsabilidade das referidas entidades bancárias.

Nestas diligências, o Ministério Público foi coadjuvado pela Autoridade Tributária (AT) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP).

De acordo com a PGR, neste processo, que corre termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), investigam-se factos suscetíveis de integrarem os crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

No passado dia 14, o Ministério Público realizou igualmente buscas, também no âmbito da Operação Marquês, a sociedades do grupo PT, residências de antigos gestores da empresa e a um escritório de advogados.

Em causa, adiantou na altura a PGR, estavam "eventuais ligações entre circuitos financeiros investigados neste inquérito e os grupos PT e Espírito Santo”.

A Operação Marquês já conta com mais de uma dezena de arguidos, entre os quais o ex-primeiro-ministro José Sócrates, que está indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito.