Saramago acusa Papa de «cinismo»

Escritor português diz que Igreja é «reaccionária»

Por: /HB  |  14-10-2009  20: 43

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Contra a «insolência reaccionária» da Igreja, a «insolência da inteligência viva». Quem é o diz é José Saramago, que acusou esta quarta-feira o Papa Bento XVI de «cinismo».

«Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar o seu neo-medievalismo universal, um Deus que jamais viu, com o qual nunca se sentou a tomar um café, demonstra apenas o absoluto cinismo intelectual da personagem», disse o prémio Nobel da literatura português, em Roma, segundo cita a agência Lusa.

Os escritor participava num colóquio com o filósofo Paolo Flores D`Arcais, na capital italiana, onde apresenta também o livro «O Caderno».

José Saramago descreveu-se como um «ateu tranquilo», durante a conversa com o filósofo italiano. Contudo, afirma que está a mudar a forma de pensar.

«Às insolências reaccionárias da Igreja Católica há que responder com a insolência da inteligência viva, no bom sentido, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias pelos presumíveis representantes de Deus na terra, a quem na realidade só interessa o poder», disse. «A razão pode ser uma moral. Usemo-la».

O escritor sublinhou que «está a crescer o fascismo» na Europa e que nos próximos anos esta será uma realidade que «atacará com força». «Temos de preparar-nos para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão a alimentar», frisou.

Nem sequer o primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi escapou às palavras do escritor, com Saramago a classificá-lo como a «doença do país», em declarações ao jornal «L`Unita».

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