A Universidade do Algarve correrá o «risco de paralisação total das suas atividades antes do fim do ano» se não houver reforço financeiro no Orçamento do Estado para 2014, declarou o reitor à revista da Universidade do Algarve.

Na primeira entrevista que o novo reitor da Universidade do Algarve deu à UALGzine, revista da Universidade do Algarve, António Branco afirmou que se reuniu com o administrador da Universidade do Algarve (UAlg) João Rodrigues para se inteirar «detalhadamente da realidade financeira» daquela instituição.

«Confirmei que se prevê uma diminuição substancial do nosso saldo transitado e que, por isso, se não for devidamente reforçada a componente do Orçamento do Estado para 2014, a Universidade do Algarve correrá o risco de paralisação total das suas atividades antes do fim do ano, por ficar impossibilitada de cumprir os seus compromissos», disse António Branco à revista semestral UALGzine.

A impossibilidade de pagar os vencimentos do pessoal docente e não docente, impossibilidade de pagar o funcionamento da água, luz, limpeza, comunicação ou segurança, impossibilidade de manter os edifícios e a impossibilidade de pagar a execução de projetos financiados são alguns dos compromissos que podem não ser cumpridos, enumerou o reitor.

Para António Branco, a primeira «tarefa» que pretende implementar na UALg, a curto prazo, consiste em «elaborar um orçamento real e transparente», e que «fique bem destacado e explicado o valor do défice previsto para 2014».

«Como anunciei ao longo de toda a campanha, é necessário apurar com todo o rigor, que parte desse défice se deve à política de cortes cegos que temos vindo a sofrer, por um lado, e às dificuldades por que passam as famílias, as empresas, os restantes organismos do Estado e a sociedade em geral, por outro», acrescenta.

António Branco, doutorado em Literatura Portuguesa Medieval pela UAlg em 1999, foi eleito a 26 de novembro passado o novo reitor da UALg com «maioria absoluta», arrecadando 18 votos dos membros do conselho geral.

Na ocasião, em entrevista à agência Lusa disse estar solidário com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), que havia anunciado um corte de relações com o Governo.

O CRUP anunciou o corte de relações com o Governo na sequência das negociações sobre as dotações do Orçamento do Estado para 2014 e sobre a reestruturação da rede do ensino superior.