O professor da Escola Nacional de Saúde Pública João Prista alertou este sábado para a existência de muita desinformação sobre os problemas provocados pelo amianto, considerando que em muitos casos se está a criar um «alarmismo» desnecessário.

«Há pessoas que com ligeireza atribuem males que não existem, esquecem males que existem e, portanto, há um profundo desconhecimento do que está em causa nas relações entre o amianto e a saúde», afirmou o especialista à agência Lusa.

João Prista, que é especialista em Medicina do Trabalho e docente na Escola Nacional de Saúde Pública, falava à Lusa à saída de um debate sobre amianto nas escolas, promovido pelos vereadores da CDU na Câmara de Odivelas.

O docente que foi um dos oradores do debate, no qual participou também o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, referiu que de forma «ligeira» tem-se atribuído ao amianto doenças como o cancro da mama ou do estômago, quando «não existe qualquer relação entre uma coisa e outra».

«Tenho ouvido absolutos horrores que só lançam o alarme e preocupação. Temos de usar a cabeça e pensar em medidas concretas», defendeu.

Na sua intervenção, João Prista explicou que só existem evidências científicas que o amianto, substância presente em estruturas de fibrocimento, só atacam o organismo por via respiratória, e que na maior parte dos casos o nosso corpo até tem defesas que conseguem suster essas ameaças.

Como forma de tranquilizar alguns pais, que estiveram presentes no debate, o especialista ressalvou que só existe uma ameaça real se houver uma exposição significativa à substância e que esta seja prolongada no tempo.

João Prista referiu que na impossibilidade de se substituírem as estruturas que contém amianto deve existir um cuidado com o seu estado de manutenção, uma vez que «se estiverem em perfeitas condições não há problema».

Por seu turno, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, referiu que «mais do que saber se o amianto mata ou não é necessário cumprir as leis que obrigam à sua remoção».

«Só pedimos que as entidades cumpram o que está estipulado na lei. Cumpram a lei, informem as pessoas e façam uma calendarização. Ninguém exige que a remoção do amianto seja feita toda ao mesmo tempo», afirmou.

O sindicalista referiu ainda que a Fenprof vai continuar a lutar pela resolução deste problema e a exigir a lista das escolas que têm amianto e aquelas que já foram ou estão a ser intervencionadas.

A presença de amianto em edifícios públicos, como escolas ou hospitais, tem sido abordado pelos partidos da oposição na Assembleia da República e pelas associações ambientalistas, que têm insistido na necessidade de elaborar a lista dos imóveis do Estado com esta substância, uma tarefa que tinha um prazo definido e que terminou a 14 de fevereiro de 2012.

No caso de Odivelas foram identificadas 23 escolas no concelho, sendo que 14 são do 1.º ciclo e jardim-de-infância, seis do 2.º e 3.º ciclo e três do ensino secundário.