O secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário defendeu esta terça-feira que Portugal tem vindo a evoluir «de forma positiva» nos estudos internacionais de educação, como o PISA, mas alertou para o «risco de estabilização», que «é preciso evitar».

No final de um seminário dedicado à avaliação externa e à qualidade das aprendizagens, que hoje decorreu no Conselho Nacional de Educação (CNE), o secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, reagiu aos mais recentes resultados do relatório PISA 2012, que hoje divulgou o seu quinto volume, o qual analisa a capacidade de os alunos resolverem problemas do dia-a-dia.

Os estudantes portugueses surgem em 20.º lugar numa lista de 44 países do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que testou, pela primeira vez, a capacidade de os alunos conseguirem resolver este tipo de problemas.

Através de um teste em que era pedido aos alunos que usassem um aparelho de música (MP3) ou uma máquina de bilhetes de comboio, o quinto relatório do PISA 2012 tentou perceber se os alunos conseguiam aplicar os seus conhecimentos de matemática, ciências e leitura em tarefas diárias.

Em Portugal participaram 5.772 alunos que colocaram o país em 20.º lugar, com uma pontuação de 494 pontos. A média da OCDE é de 500 pontos, uma diferença que não é considerada estatisticamente relevante.

No entanto, e olhando para o desempenho nacional, apenas 7,4% dos jovens portugueses que participaram no estudo conseguiram resolver os problemas mais complexos, ficando abaixo da média da OCDE (11,4%).

Depois de hoje se ter discutido no CNE se as escolas só preparam os alunos para os exames, o secretário de Estado sublinhou que «não há nenhum problema» em fazê-lo, destacando a evolução positiva registada pelo país neste tipo de testes internacionais ao longo dos últimos anos.

«Podemos correr o risco de estabilização, e é por isso que introduzimos reformas para podermos dar o salto e evitar a estagnação», declarou, acrescentando que é importante que os resultados positivos em provas internacionais tenham reflexo na avaliação das escolas e nos resultados dos exames, e que por isso o ministério pretende avançar com um programa de acompanhamento dos agrupamentos com resultados persistentemente insatisfatórios, já no próximo ano letivo.

João Grancho declarou-se ainda insatisfeito com os números apresentados no último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que apontam para um aumento de 11% em 2012/2013 do total de participações ao programa de segurança para as escolas da PSP ¿ Escola Segura.

O secretário de Estado reafirmou hoje que o Governo está a ultimar medidas para combater a insegurança nas escolas, as quais pretende apresentar em breve.