A Associação Nacional de Professores, da qual o secretário de Estado demissionário João Grancho foi presidente, lamentou hoje a saída do governante, considerando que à demissão «não será alheia a denúncia de plágio», que considera «um vil ataque pessoal».

Em comunicado enviado à Lusa, a Associação Nacional de Professores (ANP) lamentou a
demissão do secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, afirmando que este «é um profundo conhecedor das questões da Educação», sendo «um referencial importante para os professores, mas também para toda a comunidade educativa, independentemente de todos os problemas com que o Ministério da Educação se defronta».

«A denúncia feita é um vil ataque pessoal, com fins inconfessáveis, e sem fundamento efetivo, já que a intervenção do Dr. João Grancho, enquanto presidente da Associação Nacional de Professores, no referido evento, traduz a política pensada, à altura, para a referida temática», defende-se no documento, assinado pela atual presidente da ANP, Paula Figueiras Carqueja.

A demissão surgiu no dia em que o jornal Público noticiou que o secretário de Estado, em 2007, e enquanto presidente da ANP, plagiou textos produzidos por autores académicos sobre temas como deontologia profissional e formação inicial de professores, dos quais retirou extratos para usar num texto, sem citar os autores, que terá estado na base da sua intervenção num seminário que decorreu em Múrcia, Espanha, dedicado ao tema «A dimensão moral da profissão docente».

«A Direção Nacional da ANP lamenta a decisão da demissão, mas compreende-a no contexto da ética, da responsabilidade e da exigência pessoal que o Dr. João Grancho sempre colocou em todas as funções que desempenhou», defende a ANP.

Para a associação, com a demissão de Grancho o Ministério da Educação e Ciência ganhou mais um problema: «perdeu um dos mais qualificados responsáveis, com inevitáveis reflexos para o futuro próximo».