O presidente da comissão executiva da Valorsul, João Figueiredo, assegurou esta segunda-feira que a empresa tem capacidade para receber resíduos e indicou que, tendo em conta os turnos dos trabalhadores, até às 16:00 a adesão à greve será de 28,28%.

«Se eu ontem [domingo] tinha dúvidas sobre se teríamos capacidade para receber durante os quatro dias, hoje não tenho dúvidas de que temos capacidade», disse o responsável à agência Lusa.

João Figueiredo explicou que, estando a central incineradora a receber resíduos, utilizando-se a fossa, e com o aterro de Mato da Cruz (Vila Franca de Xira) em funcionamento, há «capacidade para receber com um grande grau de certeza todos os resíduos durante o período que falta para o termo da greve».

Na zona Oeste, no Cadaval, também há capacidade para receber a totalidade dos resíduos, assegurou.

Quanto a números de adesão à greve, o responsável precisou que até às 16:00 se situará, na generalidade da empresa, em 28,28%, contabilizando os turnos até essa hora.

Na central de tratamento de resíduos sólidos urbanos, em São João da Talha, Loures, houve uma adesão de 75%, enquanto no aterro sanitário, no centro de triagem e na recolha seletiva do Oeste a adesão, segundo a empresa, é de 4,35%.

No aterro sanitário de Mato da Cruz, a paralisação é de 41%, no centro de triagem do Lumiar (Lisboa) o valor da adesão é de 58,62% e na estação de tratamento e valorização orgânica, na Amadora, é de 35%.

A nível de pessoal administrativo, na sede, a empresa indicou uma adesão de 12,73%.

A partir das 16:00, quando se iniciar o terceiro turno, deverão ser conhecidos os números finais da greve de hoje, mas, segundo o diretor executivo, «não variarão muito» em relação aos números avançados.

João Figueiredo informou que os serviços mínimos estão a ser cumpridos, embora tenha acrescentado que nenhuma viatura chegou até às 12:00 para descarregar.

«Mas estamos em perfeitas condições para receber os resíduos», concluiu.

Segundo fonte do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónoma, a adesão à greve dos trabalhadores na central da Valorsul, em Loures, rondava às 08:30 os 80%.

Em declarações à Lusa, Navalha Garcia disse que não houve depósito de lixo na central, nem no aterro sanitário.

Em relação aos restantes municípios abrangidos pela Valorsul, o representante afirmou que «há câmaras que vão recolher o lixo» e que depois «farão o armazenamento temporário do lixo ou vão tentar manter os resíduos nas viaturas», até ao final da greve.

Na origem da greve está a privatização de 100% da participação do Estado na Empresa Geral de Fomento, uma «sub-holding» do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, aprovada no final de janeiro pelo Conselho de Ministros.

A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas concessionárias, da qual faz parte a Valorsul, situada no concelho de Loures e que atua em 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

A empresa serve os municípios de Alenquer, Alcobaça, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.