Cerca de uma centena de pessoas concentrou-se este domingo, cerca das 15:00, junto à Praça Luís de Camões, em Lisboa, para mostrar «que não tem medo» e que está solidária com as vítimas dos atentados em Paris.

Na praça ouve-se tanto a língua francesa como a língua portuguesa, e são visíveis as bandeiras dos dois países, que têm colado um papel onde se lê «Nous sommes Charlie» («Nós somos Charlie»), «Nous luttons pour la liberte» («Nós lutamos pela liberdade»).

À agência Lusa, Marie-line Darcy, jornalista freelancer e organizadora da concentração, admitiu que, em Lisboa, não se poderiam esperar tantas pessoas como em Paris ou noutras cidades francesas, mas «a mensagem é a mesma».

«Estamos aqui para mostrar que não temos medo e que somos "Charlie"», vincou a jornalista, correspondente em Portugal de vários órgãos de comunicação social franceses.

Cerca das 15:00 foi guardado um minuto de silêncio, vendo-se no ar canetas, empunhadas pelos manifestantes, e papéis com a célebre inscrição «Je Suis Charlie».

Ao mesmo tempo, decorre em Paris a marcha silenciosa de solidariedade para com as vítimas dos atentados dos últimos dias, marcha essa que arrancou em Paris cerca das 14:25, hora de Lisboa.

Desde quarta-feira, registaram-se três ações violentas na capital francesa, incluindo um sequestro, que, no total, fizeram 20 mortos, incluindo os três autores dos atentados, e que começaram com o ataque ao jornal Charlie Hebdo.

Em Lisboa, após o silêncio pelas vítimas, junto à estátua do escritor Luís de Camões, uma voz feminina destacou-se então da multidão, que ultrapassou as 100 pessoas, com a sugestão «La Marseillaise (a marselhesa)» e poucos segundos passaram até que se entoa-se o hino francês, seguindo-se espontaneamente também o hino português.

De guia turístico na mão, um casal de franceses de Lyon contou como «por sorte» deu conta da manifestação no centro de Lisboa.

Há três dias em Lisboa, Fabre e o seu marido acompanharam os ataques terroristas no seu país a partir da internet e as palavras que usam para caracterizaram os acontecimentos foram «inquietantes para a democracia e para a liberdade».

Um grupo de amigos que juntavam as nacionalidades francesa, portuguesa e alemã também fizeram questão de marcar presença na concentração de hoje e empunhavam lápis feitos de cartão gigantes.

No grupo estavam Thomas, de 09 anos, e Ricardo, de 06 anos, que com a ajuda dos adultos contaram que «terroristas tinham matado jornalistas» e «que não se deve calar» e «deve-se dizer o que se pensa».

«Podem fotografar as recordações da minha juventude», autorizou António Piçarra Luís, com um número de 1975 da revista mensal Charlie, anterior ao Charlie Hebdo, e um livro de Wolinski, morto na quarta-feira.

Recordando como Portugal já foi francófono, o manifestante relatou à Lusa que assinava a revista satírica, que custava 40 escudos e enquanto soldado em Moçambique recebia outra publicação humorística de França, a Hara-Kir.

«E a PIDE sem perceber nada», notou António Luís que resume como os cartoonistas daquelas publicações «libertaram ideias».

«Eles mudaram a nossa cabeça», concluiu.