A professora que durante mais de dois anos deu aulas no Instituto Superior de Línguas e Administração de Leiria (Isla-Leiria), supostamente sem habilitações, rejeitou esta quarta-feira, perante o juiz, que o estabelecimento tivesse sido prejudicado com esta situação.

«Não houve prejuízo» para a instituição, declarou a arguida no Tribunal Judicial de Leiria onde está a ser julgada pelos crimes de burla qualificada, falsificação de documento e usurpação de funções.

Explicou que a escola não lhe pagou como doutora, e que deu também aulas de apoio e organizou seminários, entre outras iniciativas. Trabalho que, alegou, não foi pago.

A arguida, que disse ter dado também aulas na Escola Tecnológica, Artística e Profissional de Pombal, considerou que o Isla-Leiria «não pode passar só» para ela a responsabilidade da situação, adiantando que, após o estabelecimento de ensino superior ter feito queixa ao Ministério Público, pretendeu assumir o seu «erro» e «seguir em frente».

Segundo o despacho de pronúncia, o Isla-Leiria manifestou vontade, em junho de 2010, de contratar um professor doutorado para lecionar a área curricular de Engenharia e Segurança no Trabalho, tendo a arguida sido referenciada ao estabelecimento por um colaborador externo da instituição.

Com a pretensão de preencher aquelas funções, a mulher fez chegar ao Isla-Leiria o seu currículo, no qual consta que possuía licenciatura em Engenharia de Materiais pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, mestrado em Ciências de Materiais pela mesma instituição e doutoramento pela Universidade de Aveiro.

Entre outubro de 2010 e 18 de janeiro de 2013, a arguida desempenhou funções como docente doutorada no Isla-Leiria, com a categoria de professora auxiliar, tendo dado aulas de Estatística, Química e Matemática, entre outras, nas licenciaturas de Engenharia da Segurança do Trabalho e Gestão de Empresas, e nos mestrados em Gestão de Recursos Humanos, Psicologia Social e Organizacional, e Gestão da Prevenção dos Riscos Laborais.

«A arguida sempre garantiu possuir as devidas qualificações e habilitações académicas para o exercício das suas funções para que foi contratada», refere o documento, adiantando que, apesar de lhe ter sido solicitado, por diversas vezes, para entregar cópias da tese de mestrado e de doutoramento, foi protelando a sua entrega, «dizendo que se tinha esquecido, ou que mudara de casa, não sabendo exatamente onde estavam».

Em maio de 2011, a arguida acabou por entregar cópias de certificados de habilitações nos quais consta a conclusão da licenciatura, do mestrado e do doutoramento, «documentos falsos» que elaborou.

Durante o período em que deu aulas no Isla-Leiria, a mulher auferiu um total de 45 mil euros, que o estabelecimento de ensino, que se constituiu assistente no processo, agora reclama.

O julgamento prossegue no dia 22.