Depois de a Polícia Judiciária ter confirmado que o incêndio de Pedrógrão Grande teve início por causa da trovoada seca, foi a vez do Instituto Português do Mar e da Atmosfera avançar que trovoada que atingiu a região ficou registada pelo sistema de deteção de descargas elétricas do IPMA.

“O nosso sistema de deteção de descargas elétricas permitiu, na altura, verificar que ocorreram descargas na região”, confirmou aos jornalistas Nuno Moreira, chefe de previsão europeia, aos jornalistas na segunda-feira à tarde, alertando, no entanto, que os dados estão ainda em análise, uma vez que o sistema é de deteção remota.

O meteorologista referiu ainda que “a situação meteorológica no sábado, além do tempo quente - com as temperaturas acima dos 40 graus em grande parte do território -, também com humidades relativas muito baixas foi também acompanhada pela ocorrência de trovoada". 

"As nuvens que dão origem às descargas elétricas formaram-se a partir do início da tarde e continuaram a evoluir durante a tarde até à noite e também no dia de ontem, domingo, e hoje, é uma situação que continua a acontecer". 

Perante estes dados, Nuno Moreira explicou ainda o que é o fenómeno da trovoada seca.

"A trovoada tipicamente pode acontecer acompanhada com precipitação ou sem precipitação. Pode ser porque a precipitação evapora antes de chegar à superfície ou porque a descarga acontece num sitio e a descarga noutro. No sábado, pouco precipitou junto à superfície", explicou.

O fogo, que causou pelo menos 63 mortos e mais de 130 feridos, incluindo quatro bombeiros, deflagrou ao início da tarde de sábado numa área florestal em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande (distrito de Leiria), e alastrou aos municípios vizinhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, obrigando a evacuar povoações ou deixando-as isoladas.

Algumas das vítimas mortais foram apanhadas pelas chamas quando circulavam por estradas.