Um relatório do Instituto Português do Mar e do Atmosfera (IPMA) concluiu que não houve trovoadas secas à hora a que começou o grande incêndio de Pedrógão Grande. O documento, a que o jornal Público teve acesso, foi entregue ao primeiro-ministro na sexta-feira.

Segundo o jornal Público, o IPMA voltou a processar todos os dados recolhidos pelos sensores de descargas elétricas e concluiu que não foram encontradas provas da existência de descargas elétricas de nuvens para o chão que sejam compatíveis com as descrições sobre o início do fogo em Escalos Fundeiros, o local onde tudo começou. 

De resto, o relatório indica ainda ainda que, à hora do inicio do incêndio, 14.43, e por cima do sítio apontado como a origem da ignação, não havia o tipo de nuvens que gera trovoadas.

Os novos dados do IPMA contrariam, assim, as informações avançadas pela Polícia Judiciária na manhã seguinte ao início do fogo. A PJ informou nessa altura que as chamas tinham tido origem em causas naturais, nomeadamente em trovoadas secas. As autoridades acrescentaram que tinha sido identificada uma árvore atingida por um raio que tinha estado na origem da ignição. 

O mesmo documento indica que o incêndio foi potenciado por um fenómeno de downburst – uma corrente de ar gerada por nuvens que chega até ao chão e que provoca ventos fortes - como nunca tinha acontecido em Portugal.

Segundo este relatório, na tarde de 17 de junho, dia em que deflagrou o incêndio, a região Centro de Portugal foi atingida por vários fenómenos de downburst.

E há provas de que um dos downbursts atingiu o fogo de Pedrógão Grande, fazendo com a dimensão do fogo triplicasse e este se espalhasse a grande velocidade.

O incêndio de Pedrógão Grande provocou 64 mortos e mais de 200 feridos.

Das vítimas do incêndio, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236-1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.