A Ordem dos Enfermeiros considerou esta segunda-feira «caótico» o funcionamento das urgências nas Caldas da Rainha, com o acumular de cerca de 50 macas nos corredores do serviço, problema para o qual a administração diz estar a estudar soluções.

«Um serviço de urgência caótico, com 30, 40, 50 macas quase em permanência [nos corredores] do serviço de urgência» é o cenário descrito por Isabel Oliveira, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros (OE), na sequência de uma visita efetuada ao hospital das Caldas da Rainha.

Num comunicado, a enfermeira refere que a situação não é nova, mas que se agravou desde outubro, quando o Hospital de Alcobaça (que até então integrava, tal como o das Caldas da Rainha, o Centro Hospitalar do Oeste ¿ CHO) passou a estar ligado ao Hospital de Santo André, em Leiria.

A insuficiência da rede de cuidados continuados e as reduzidas infraestruturas de apoio são outros dos fatores que Isabel Oliveira considera agravarem o problema das urgências, cuja média de idade dos utentes ultrapassa os 80 anos.

«Os serviços de saúde ainda não se adaptaram à necessidade de dar resposta a estas pessoas mais idosas e que têm necessidades de saúde específicas», sublinha a enfermeira para quem ¿os serviços de urgência estão a ser transformados em serviços de internamento sem que para tal existam condições».

Tanto mais que, acrescenta, «há um aumento dos utentes de lares na urgência» pelo facto de muitos lares não terem «serviços médicos ou de enfermagem que permitam prevenir este tipo de situação».

E para agravar, frisa, «o número de complicações e agudizações aumenta, principalmente por má gestão terapêutica», uma vez que «as pessoas não têm dinheiro para comprar medicamentos e deixam de os tomar».

O serviço depara-se assim com «falta de condições para os doentes e para os profissionais» que, segundo a OE, «chegam a ter situações em que o número de macas nos corredores é tão extenso que eles nem sequer conseguem passar para socorrer as pessoas em tempo útil».

Uma situação que a OE constata «ser incomportável» com a equipa do serviço de urgência «cansada» e «no limite das suas forças», levando Isabel Oliveira a questionar se «é preciso acontecer uma desgraça nos serviços de saúde para que se olhe convenientemente para esta realidade».

Questionado pela Lusa, o presidente do conselho de administração do hospital, Carlos Sá, reconheceu que, «tal como acontece a nível nacional, as urgência das Caldas da Rainha estão a dar resposta a problemas sociais que não são específicos do serviço» e adiantou que o CHO está «a trabalhar com a tutela para, com a maior brevidade possível, encontrar soluções para esta nova realidade de forma a melhorar as condições de permanência na urgência».

Entre elas estão projetos já anteriormente anunciados, como a requalificação de uma área do serviço de urgência e a criação de mais de dez camas, numa das unidades do CHO, para responderem a necessidades pontuais de internamento de doentes das urgências.

O CHO integra as unidades das Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras e serve mais de 292.500 pessoas.