As Unidades de Saúde Familiar (USF) têm tido melhores resultados que os tradicionais Centros de Saúde e que os Cuidados de Saúde Personalizados, conclui um estudo a ser apresentado no 6.º Encontro de USF que começa esta quinta-feira no Porto.

«Quando nós estabelecemos alguma comparação, destacam-se melhores resultados das USF no seu conjunto, em particular do modelo B», afirmou à Lusa Bernardo Vilas Boas, Presidente da Direção da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF).

Reunindo dados de 2013 a nível nacional, Vilas Boas destacou que as USF, especialmente o subgrupo do modelo B, mostraram ter «melhor acesso, desempenho, vigilância de saúde maternoinfantil, doença crónica e na área da prevenção oncológica, acompanhada de menores custos em medicamentos e MCDT (Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica)».

Os parâmetros analisados são «objeto de contratualização anualmente e são definidos pela administração central dos sistemas de saúde», explicou o responsável.

De acordo com dados fornecidos pela ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde), e citados pelo responsável no estudo a apresentar, as USF modelo B apresentaram um custo menor com medicamentos faturados por utilizador do que as UCSP, em menos 29,67%.

Quanto à acessibilidade, as USF-B apresentaram «um resultado superior às UCSP em 128,15%« no que diz respeito à taxa de domicílios efetuados por médicos por cada mil inscritos, e um resultado também superior em 76,46% na taxa de utilização de consultas.

No âmbito da vigilância de saúde, a proporção de grávidas com consulta médica de vigilância no primeiro trimestre nas USF-B foram superiores em 5,95% que nas UCSP e a de recém-nascidos com consulta até aos 28 dias foi superior em 21,75%.

Já ao nível da prevenção oncológica, as USF-B registaram mais 111,28% de mulheres entre os 25 e os 60 anos a realizarem o exame de teste Papanicolau e mais 1112,45% de pacientes a efetuarem rastreio do cancro do colorretal.

Para Bernardo Vilas Boas, os bons resultados das USF de modelo B derivam «do que é nuclear na própria reforma, na própria mudança que é a inovação em termos de organização, da criação de uma equipa multiprofissional de médicos, enfermeiros e secretários que têm um estatuto de autonomia e de responsabilidade em relação ao funcionamento da própria unidade».

A equipa tornou-se assim responsável «pelo cumprimento de horário, pela inter-substituição, pela resposta rápida em situações agudas, pelo plano de ação, pela definição de objetivos, pela contratualização de metas e depois pela avaliação e prestação de contas».

«No fundo são as novas regras e os novos princípios que estão definidos no decreto que criou as USF e que deram origem à reforma dos cuidados de saúde primários», assinalou.

De acordo com o Portal da Saúde, em outubro de 2007 o Ministério da Saúde aprovou uma lista de critérios e metodologia que permitiram classificar as USF em três modelos - A, B e C - com o modelo B a abranger as unidades do setor público administrativo com um regime retributivo especial para todos os profissionais, integrando remuneração base, suplementos e compensações pelo desempenho.

O 6.º Encontro Nacional das USF decorre entre hoje e 10 de maio na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).