Um em cada quatro inquiridos num estudo da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) disse conhecer alguém ou ter o próprio sido vítima de assédio persistente, perseguição na Internet e «bullying».

Os dados são do 4º Barómetro APAV/Intercampus, sobre o tema da «Perceção da população portuguesa sobre stalking, cyberstalking, bullying e cyberbullying», que decorreu entre os dias 23 de abril e 20 de maio.

O estudo, que será divulgado esta quinta-feira e a que a Lusa teve acesso, teve como base entrevistas a 1.104 pessoas, com idades entre os 15 e os 64 anos, distribuídas pelas regiões Norte (37%), Centro (23%), Lisboa (28%), Alentejo (7%) e Algarve (5%).

Para os 985 inquiridos que dizem reconhecer os conceitos, 32% (306) afirmaram conhecer uma vítima destes comportamentos ou ter sido o próprio a experienciar essa vivência (5%), sendo a maioria mulheres.

Em 18% dos casos, a situação ainda está a decorrer.

Relativamente ao «bullying», a relação com a pessoa que pratica os atos está grandemente associada aos colegas da escola, e a maioria das situações ocorria diariamente, sendo que mais de metade (53%) das situações duraram até um ano.

A violência psicológica foi o comportamento mais referenciado no «stalking» (assédio persistente), seguido pelas tentativas de contacto indesejado (presenciais ou eletrónicas) e o aparecimento do perseguidor nos locais frequentados pelas vítimas.

Comentários indesejados nas redes sociais e publicação de acusações online são os atos mais mencionados pelos inquiridos que conhecem ou foram vítimas de cyberstalking (utilização da Internet para perseguir uma pessoa persistentemente).

No caso do «bullying», os comportamentos mais referenciados foram os insultos, ameaças ou intimidação através de palavras e agressões.

Relativamente ao «cyberbullying» (utilização de novas tecnologias para agredir a vítima), as injúrias e a importunação forma os comportamentos mais referenciados pelos inquiridos.

Na maior parte dos casos, a vítima procurou apoio junto de familiares e amigos.

No entanto, a maior parte dos entrevistados declarou que, se conhecesse alguém que tivesse sido vítima destes comportamentos, aconselharia a vítima a procurar apoio, principalmente junto da polícia e familiares, e 23% aconselharia também a APAV.

«O bullying é o termo que atinge maior nível de reconhecimento (87%)», situação que também ocorre no reconhecimento do conceito, com 97% a afirmarem que já ouviram falar deste comportamento.

O «stalking» e «cyberstalking» atingem muito menor reconhecimento ao nível do termo (17%), mas, ao nível do conceito que o termo representa, o reconhecimento sobe para níveis de 60%.

Já 13% dos inquiridos afirmaram nunca ter ouvido falar dos termos apresentados, mas, quando confrontados com os conceitos, esta percentagem desce para 3%.

A televisão é o meio mais referenciado como fonte de informação.

A escola e a Internet assumem «um peso maior» como fonte de informação para os indivíduos com idades entre os 15 e os 34 anos, principalmente no que respeita aos conceitos de «bullying» e «cyberbullying».

O estudo defende a necessidade de «uma mais eficaz prevenção deste tipo de vitimação, uma maior pressão no sentido de se criminalizar este tipo de violência contra as pessoas e a promoção de um apoio mais qualificado e efetivo às vítimas deste tipo de situações».