O secretário Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Gomes da Silva, defendeu este sábado que a floresta nacional tem uma estratégia e segue um planeamento, não estando lançada ao abandono como por vezes se quer fazer crer.

«Ao contrário do que se diz, tudo o que é preciso fazer do ponto de vista do planeamento está feito e não é verdade que se possa fazer em Portugal na floresta o que se quer», sustentou.

No encerramento do Seminário «Caramulo, pensar o presente, planear o futuro», que decorreu ao início da noite, no Caramulo, Gomes da Silva rejeitou que a floresta esteja a seguir um caminho não planeado. Admitiu, no entanto, que nem todos estejam a seguir a lei.

«Parece que, quando se fala de floresta, que esta é uma floresta abandonada, em que nada está planeado, mas não é assim. Agora, se me dizem que há quem não cumpra a lei, é verdade, e é preciso ter mais força e maior capacidade de fiscalização», considerou.

O representante do Governo sublinhou que o papel de fiscalização cabe ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), através do novo regime de arborização.

«Em vez de dificultar a ação de quem quer fazer os projetos, criando muita burocracia prévia, é preciso ser leve no início e depois ir para o terreno ver se está bem feito e emendar o que estiver mal», destacou.

Gomes da Silva realçou ainda que não basta ter planos de ordenamento florestal regionais, sendo fundamental que estes sejam do conhecimento de todos.

«Após um incêndio, como o que ocorreu no Caramulo [no verão passado], há a tentação de nem parar para pensar. A floresta não se compadece com ritmos acelerados, nem se move à velocidade do mundo moderno», apontou.

Ao longo do seu discurso, Gomes da Silva referiu ainda que a floresta em Portugal tem dono, mas que esse dono não é o Estado.

«Só pontualmente é o Estado, mas é tão residual que, quando digo que não é o Estado, não é mesmo. Mesmo em algumas áreas onde o Estado gere, não é proprietário», concluiu.