A Câmara dos Representantes e o Senado norte-americanos anunciaram na noite de terça-feira um acordo orçamental que adia a decisão sobre a redução da presença na Base das Lajes, na ilha Terceira, até à divulgação de um relatório.

«O secretário de Defesa deve certificar os comités de Defesa do Congresso antes de qualquer ação sobre o realinhamento das forças na Base Aérea das Lajes, nos Açores, cuja ação encontra suporte no Relatório de Avaliação das Infraestruturas Europeias», informa o acordo.

O relatório mencionado está a ser conduzido desde o início do ano e deve ser divulgado na primavera do próximo ano.

«Essa certificação deve incluir uma avaliação específica da Base das Lajes, nos Açores, no apoio às forças norte-americanas além-mar», conclui o texto.

O projeto-lei tem agora de ser agora aprovado na Câmara dos Representantes e no Senado, onde na terça-feira foi anunciado um acordo orçamental entre os partidos democrata e republicano para viabilizar o orçamento federal e evitar nova paralisia dos serviços.

«Como há um acordo entre os dois partidos, o orçamento deve seguir de imediato para votação», explicou à agência Lusa o presidente da National Organization of Portuguese Americans (NOPA), Francisco Semião, o que significa que a questão das Lajes terá de esperar.

O acordo de terça-feira foi anunciado à imprensa pela senadora democrata Patty Murray e o congressista republicano Paul Ryan.

Antes deste acordo, os norte-americanos previam uma redução do seu contingente das Lajes em mais de 400 militares e 500 familiares com efeitos em 2014.

Adiamento permite «ganhar algum tempo»

O presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadores Portugueses da Base das Lajes considerou hoje que o adiamento da decisão norte-americana sobre a redução de militares na Terceira, nos Açores, permite «ganhar algum tempo» para «prosseguir a luta».

«É um adiamento, não estamos obviamente perante um retrocesso do processo tal como estava anunciado. O que ganhámos foi tempo. O que é bom. Já não é mau», afirmou João Ormonde, em declarações à Lusa.

João Ormonde considerou ainda que «funcionou a diplomacia» e «valeram a pena todos os esforços», também do «Governo Regional e de organizações que se juntaram por esta causa nos Estados Unidos».

«Vamos ter agora sim alguma serenidade, algum tempo para continuar, junto das diferentes entidades relacionadas com este processo, a influenciar de alguma forma alterações e travar, na medida do possível, o processo», frisou.

A redução que está proposta pelos Estados Unidos da América (EUA) «é definitivamente, do ponto de vista económico e social, qualquer coisa de catastrófica para a ilha Terceira», sublinhou.