Notícia atualizada às 13:27

O diretor da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Luís Jorge Gonçalves, disse hoje à agência Lusa que a entidade «foi prejudicada e ultrapassada» na cedência de espaço do Convento de São Francisco ao Museu do Chiado.

Na quarta-feira, o Ministério das Finanças, o Ministério da Administração Interna (MAI) e a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) assinaram um protocolo para a cedência de 3.300 metros quadrados para o Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC-MC).

«Nós soubemos da notícia pela comunicação social. A Faculdade de Belas-Artes de Lisboa não foi oficialmente informada de nada», disse o diretor, recordando que nas negociações deste antigo projeto de cedência de espaço do MAI, aquela unidade de ensino tinha estado envolvida.

Indicou que a última reunião sobre o projeto em que a Faculdade de Belas-Artes de Lisboa participou, decorreu há um ano, «e depois do verão nunca mais se soube de nada».

«A Faculdade tem uma enorme necessidade de espaço, temos cada vez mais iniciativas e somos uma entidade de referência nas artes. Aqui se formaram muitos artistas portugueses consagrados», salientou o responsável.

A Faculdade de Belas-Artes de Lisboa (FBAUL) partilha as instalações do Convento de São Francisco, na zona do Chiado, com o MNAC-MC, serviços do MAI e o Governo Civil, que entretanto saíram do edifício, bem como o comando da PSP.

«O projeto, como era conhecido, consistia em partilhar o espaço deixado vago entre a faculdade, o museu e também a PSP, para criar ali um espaço museológico próprio», referiu.

Luís Jorge Gonçalves sustenta que a FBAUL precisa de mais espaço para ateliês artísticos, oficinas de restauro, e gabinetes para os professores.

«Há ainda a questão da segurança, porque apenas temos uma saída para o átrio do Largo Academia Nacional de Belas Artes, e seria bom ter uma segunda saída para a Rua Capelo», argumenta.

Luís Jorge Gonçalves também diz que o projeto estava bem encaminhado com a anterior diretora do Museu do Chiado, Helena Barranha, mas o mesmo não aconteceu com o novo diretor, David Santos, nomeado no final do ano passado, na sequência de um concurso público.

«Havia um projeto com a anterior diretora para criar uma cafetaria e uma biblioteca em conjunto. Quando apresentei a ideia ao novo diretor, foi dito que era lunática», apontou.

O diretor disse ter todo o apoio do reitor da Universidade de Lisboa, Cruz Serra, neste caso, e que o protesto irá continuar com «iniciativas de protesto criativas», além das vias oficiais, para a SEC.

A FBAUL tem atualmente cerca de 1.700 alunos, 110 professores e mais cerca de 30 funcionários.

Contactado pela agência Lusa, o gabinete do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, reagiu com esta declaração: «A ampliação da área ocupada no Convento de S. Francisco pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado em nada prejudica as pretensões da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, antes responde a uma expectativa de décadas da área da cultura».

Os alunos da FBAUL marcaram para hoje, às 15:00 uma concentração de protesto em frente à faculdade, que vai ficar encerrada simbolicamente durante todo o dia.