A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) considerou esta quinta-feira que os avisos e alertas de mau tempo funcionaram, mas admitiu que há aspetos que podem ser melhorados no sentido de «avisar a população de uma forma mais assertiva».

«É natural que possa haver aspetos que podemos eventualmente melhorar no sentido de avisar a população de uma forma mais assertiva e estimular que os níveis de aviso sejam feitos com maior proximidade junto das populações, através das entidades que têm responsabilidade nesse domínio», sublinhou Miguel Cruz, adjunto de operações nacionais da ANPC.

Em função destes avisos e destes alertas, estas entidades «devem ter em linha de conta quais são as áreas historicamente mais vulneráveis e, em função disso, tomarem, pelo menos, medidas de interdição na eventualidade de estarem em perigo pessoas ou bens», defendeu.

O presidente do Conselho Português de Proteção Civil (CPPC), em comunicado, considerou insuficiente a ação da ANPC, da Autoridade Marítima Nacional e da maioria dos Serviços Municipais de Proteção Civil relativamente «à emissão e difusão de avisos e medidas de prevenção e autoproteção» face às condições meteorológicas adversas que atingiram o país.

Em declarações à agência Lusa, Miguel Cruz disse que respeita a posição do CPPC, mas discorda do «seu teor e das suas afirmações», uma vez que «o acompanhamento da situação foi feito logo desde o fim de semana».

«Do nosso ponto de vista não seria expectável que os danos fossem aqueles que se vieram a verificar, mas ainda assim, do ponto de vista daquilo que foram os danos, sobretudo, para as pessoas, entendemos que o aviso e o alerta funcionaram», frisou Miguel Cruz.

Houve cerca de 300 ocorrências e «todas elas foram prontamente resolvidas sem existência de vítimas mortais» ou outras situações como aconteceram noutros países.

«Apesar de um ou outro incidente que se verificou, um bocadinho pela curiosidade do cidadão e por alguma falta de cultura de risco, não houve acidentes e incidentes com vítimas mortais ou graves a lamentar», sustentou o responsável da ANPC.

Reiterou que no fim de semana «estavam ativos um conjunto de avisos para a agitação marítima» devido ao tamanho das ondas que rondava os cinco e os sete metros e que, após informação recebida na segunda-feira de que a ondulação poderia ascender os 16 metros, «foi de imediato decidido emitir um aviso para a população».

Esse aviso visou «chamar a atenção para um conjunto de medidas de autoproteção e com especial incidência para as questões com a proximidade do mar e com os cuidados a ter na circulação junto à orla costeira».

Foi também emitido um comunicado técnico aos agentes de proteção civil, onde se incluem os serviços municipais de proteção civil e os diferentes níveis do sistema de proteção civil, «no sentido de alertar para a situação e elevar o estado de prontidão para garantir uma eventual resposta às situações que se pudessem verificar em função daquele novo cenário», acrescentou.

No mesmo comunicado, o Conselho Português de Proteção Civil apelou ainda «ao empenho das autoridades nacionais e locais, reiterando que considera inócuo o trabalho de prevenção notório nos últimos dias, que denotam uma preocupante incapacidade técnica e de coordenação interinstitucional».