As autoridades portuguesas recomendam aos cidadãos portugueses que evitem viajar para os países afetados pelo Ébola, a menos que o façam por «absoluta necessidade», segundo numa nota publicada na página da Direção Geral da Saúde (DGS).



A DGS sublinha que a situação na Costa Ocidental de África «impõe ações de prevenção e controlo», tanto na fonte (epicentro da epidemia), como nas medidas que visam impedir a exportação de casos de doença para outros países.



Segundo a nota, é necessário distinguir entre o problema que surgiu inicialmente na Guiné-Conacri e que se propagou aos países africanos vizinhos (Serra Leoa e Libéria), devido à quase inexistência de fronteiras, e a eventual importação de casos em Estados de outros Continentes.

«Na Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria, a propagação da epidemia de Ébola deve-se, sobretudo, ao facto de serem países contíguos, com delimitação porosa de fronteiras, isto é, permeáveis e como tal atravessadas por populações rurais, onde os respetivos sistemas de saúde são muito frágeis e as condições socioeconómicas são, igualmente, débeis», explica a DGS.



Já na Nigéria, a atividade epidémica é explicada a partir da importação de um caso, que viajou de avião, «dando origem a cadeias de transmissão, que tudo indica estarão controladas até ao momento».



Por isso, as autoridades portuguesas, incluindo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, aconselham «os cidadãos a viajar para aqueles três países apenas em caso de absoluta necessidade», como princípio de precaução, sublinhando contudo que os recursos existentes em Portugal «permitem evitar ou reduzir o risco de transmissão de casos de infeção».



Sessões de esclarecimento para elementos do SEF

A DGS vai promover sessões de esclarecimento aos funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) sobre o vírus do Ébola, para «habilitá-los a discutir e aconselhar» os viajantes sobre a matéria.

Em declarações à Lusa, o diretor¿geral da Saúde disse que estas sessões terão início na sexta-feira, dia 22, à tarde, no aeroporto do Faro. Posteriormente, serão estendidas aos aeroportos de Lisboa e do Porto.

Para já, apenas o pessoal do SEF será abrangido por esta iniciativa, de forma a estar habilitado a discutir todos os assuntos relacionado com a infeção, com as viagens e a aconselhar os cidadãos.

Com estas sessões, pretende-se «afinar todos os procedimentos, que depois serão debatidos em sessões de perguntas e respostas», adiantou Francisco George.

A DGS sublinha que tanto na sua página (www.dgs.pt) como na da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (www.secomunidades.pt) estão disponíveis informações permanentemente atualizadas, incluindo conselhos a viajantes.



Também a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) presta esclarecimentos complementares, bem como a linha telefónica do Gabinete de Emergência Consular (961706472 ou 217929714), que funciona em permanência para situações de urgência ocorridas no estrangeiro.