Perto de 7.000 crianças e jovens em risco foram sinalizadas em 2012 pelos serviços de saúde, o que representa um aumento de 25% em relação ao ano anterior e de quase 100% face a 2010, segundo um relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o documento elaborado pela Comissão de Acompanhamento da «Ação de Saúde para Crianças e Jovens em Risco» (ASCJR), o principal tipo de mau-trato que motivou a sinalização foi a «negligência» (67%), em linha com o que já se vinha verificando em anos anteriores.

O relatório especifica que, desde 2008 até ao final de 2012, o número de sinalizações registado evidenciou tendência de crescimento, num total de 24.169 casos, representando um valor médio anual de 4.847 casos.

Esta tendência de crescimento poderá evidenciar, por um lado, um efetivo aumento de maus-tratos a crianças e jovens, a que «não será alheio o contexto de crise global».

Por outro lado, o documento realça a maior capacidade de deteção deste tipo de situações por parte dos serviços de saúde e o desenvolvimento de «formas mais concertadas de cooperação e intervenção».

Em 2012, como nos cinco anos anteriores, verificou-se uma «larga predominância» de situações de negligência, mas pela primeira vez surgiu um valor de 9% para a categoria «outros» (3% em 2011), assim classificada por ter sido «sentida dificuldade em integrá-la numa das outras categorias definidas»: maus-tratos psicológicos (12%), maus-tratos físicos (7%) e abuso sexual (5%).

Quanto ao tratamento dos casos, em 2012 foram sinalizados a outras instituições 47% do total de casos sinalizados através da rede de núcleos da ASCJR, o que «parece apontar para um aumento na capacidade própria de gestão dos casos por parte dos serviços de saúde onde se processa a sinalização», refere o documento.

No que respeita aos casos que foram encaminhados, 39% foram-no para Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, 12% para o Ministério Público/Tribunais e 49% para outras entidades de primeira linha.