Uma colisão do helicóptero com três cabos elétricos de alta tensão é a causa provável do acidente registado a 18 de dezembro em Monchique, que causou um morto e dois feridos graves, segundo o gabinete que investiga acidentes aéreos.

Em declarações à Lusa, nesta sexta-feira, o diretor do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves, Álvaro Neves, explicou que a causa apontada para o desastre «tem caráter provisório», porque o processo de investigação ainda decorre e o «relatório final só será conhecido no prazo de um ano».

No dia 18 de dezembro de 2013, pelas 13:50, o helicóptero Eurocopter Colibri EC 120B descolou do heliporto de Monchique para uma missão de inspeção de linhas elétricas de média tensão, instaladas próximo da povoação de Marmelete, Monchique, levando a bordo o piloto e dois técnicos da EDP.

«Após cerca de 30 minutos de voo e quando manobrava para iniciar a inspeção de uma nova linha, o helicóptero colidiu com três cabos elétricos de alta tensão, que se encontravam distendidos de forma perpendicular à rota da aeronave e que não foram visualizados pelo piloto nem pelo ocupante do lugar da frente», lê-se numa nota informativa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves.

Segundo o relatório preliminar, da colisão resultou o corte dos cabos elétricos e danos severos no helicóptero e o piloto perdeu o controlo da aeronave, que prosseguiu a voar de forma descontrolada e acabou «por se despenhar, a cerca de 40 metros mais à frente, em cima de árvores que lhe amorteceram a queda».

«O contacto do helicóptero com o solo foi violento», acrescenta o gabinete, referindo que a cauda do aparelho se desprendeu e que as pás se soltaram «presumivelmente em consequência da colisão com as árvores».

Do acidente aéreo resultou a morte imediata do ocupante que viajava no lugar da frente e ferimentos graves no piloto e no ocupante que viajava no lugar traseiro, adiantou Álvaro Neves.

As vítimas foram socorridas por três madeireiros, que trabalhavam próximo do local do acidente. «A assistência destes três homens foi fundamental para a sobrevivência dos dois feridos e constituiu um ato assinalável de registo», refere o documento com a informação preliminar.

Álvaro Neves sublinhou que um processo de investigação sobre as causas do acidente «não tem por objetivo o apuramento de culpas ou a determinação de responsabilidades mas, e apenas, a recolha de ensinamentos suscetíveis de evitarem futuros acidentes».

A nota informativa divulgada agora serve para efeitos de prevenção de acidentes e tem caráter provisório, contendo um resumo dos acontecimentos e estando sujeita a alterações durante o processo de investigação.