O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais considerou esta quarta-feira que devem ser «tiradas ilações da incompetência» dos responsáveis do Instituto que gere o sistema informático Citius, devendo a ministra da Justiça «obviamente demiti-los».

«O sistema informático (Citius) falhou. Os responsáveis do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça falharam», disse à Lusa Fernando Jorge, observando que foi assumido um «compromiso» de que tudo ia funcionar e, ao fim de três dias, «há muita anormalidade» no sistema informático usado pelos funcionários judiciais, advogados e magistrados.

Fernando Jorge, que falava no terceiro dia da vigência da reforma do novo mapa judiciário, que arrancou segunda-feira, reconheceu que alguns processos já aparecem no sistema informático, mas que «estão incompletos», faltando partes processuais.

Na sua perspetiva, o sistema informático Citius está «totalmente inoperacional» na esmagadora maioria dos tribunais. Admitiu contudo que a situação é ligeiramente melhor no Palácio da Justiça de Lisboa, no Porto e no Tribunal de Sintra.

Fernando Jorge alertou ainda para as «situações complicadas» que estão a ser vividas pelos funcionários judiciais que estão a trabalhar em Gondomar e Setúbal, com o barulho das obras a decorrer mesmo ao lado.

A reorganização judiciária implicou a transferência de 3,5 milhões de processos, segundo dados do Ministério da Justiça.

Também o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), Mouraz Lopes, declarou ao jornal Público que se as anomalias continuarem no dia de hoje irá exigir explicações ao Ministério da Justiça.

Em entrevista segunda-feira ao Jornal da Noite, da SIC, Paula Teixeira da Cruz afirmou que «há 200 anos que não se fazia uma reforma» destas na Justiça e sublinhou que o novo desenho judiciário, com 23 comarcas e novos modelos de gestão com objectivos, sob «escrutínio público», foi muito «pensado e discutido».

A ministra reiterou que o novo mapa judiciário assegura maior especialização da Justiça para o interior do país e refutou que haja populações que distem «mais de 59 quilómetros do novo tribunal.

«A distância maior face ao que existia é de 59 quilómetros. Foi tudo equacionado em termos de transportes e até medido o tempo para percorrer a distância», acentuou, lembrando que «havia tribunais em que o juiz só ia lá de 15 em 15 dias», como cita a Lusa.