Duas médicas do Hospital Maria Pia, no Porto, vão responder em outubro, em tribunal. Por um caso de negligência médica.

O Ministério Público acusa uma pediatra e uma cirurgiã de diagnóstico insuficiente a uma criança de 11 anos que deu entrada no hospital com cólicas e dores fortes, onde os médicos de serviço não lhe diagnosticaram uma sépsis. O caso ocorreu em 2011, João, de 11 anos e que sofria da doença de Crohn. Deveria ter sido logo medicado com um antibiótico de largo espetro e feito um TAC abdominal, mas, segundo a acusação do MP a que o JN teve acesso, tal só veio a ocorrer oito horas depois, com a mudança de turno dos médicos e ignorados os alertas da enfermeira de serviço que foi avisando a pediatra de que o quadro clínico de João não se alterava, que apenas estava a tomar um paracetamol.

Quando às oito da manhã, uma outra cirurgiã observou o João, diagnosticou-lhe uma oclusão intestinal e uma desidratação grave. João chegou mesmo a vomitar fezes.

Levado para os cuidados intensivos e operado por volta do meio-dia, ou seja, cerca de 20 horas após ter dado entrada no hospital, o menino fez três paragens cardíacas durante a operação. A falta de oxigenação do cérebro traduziu-se numa paralisia cerebral. João viveu mais dez meses apenas, em estado vegetativo e com insuficiência respiratória e renal, como acrescenta o «JN».

O mesmo jornal acrescenta que as médicas negaram a violação dos deveres, uma opinião corroborada pelo parecer do Conselho Médico Legal. As médicas continuaram em funções apesara de serem arguidas e pediram a abertura da instrução para evitar o julgamento.

O juiz de instrução criminal manteve o entendimento do Ministério Público e as clínicas vão mesmo sentar-se no banco dos réus acusadas de ofensas à integridade física qualificada.