Na freguesia do Porto da Cruz, no concelho de Machico, os moradores fazem contas aos estragos depois de uma noite sem dormir, em que a chuva provocou dezenas de deslizamentos de terras que isolaram o acesso ao centro.

Estradas secundárias e a própria Via Expresso (principal estrada de acesso) sofreram vários deslizamentos que na sua fúria levaram alguns troços de estradas, campos agrícolas e automóveis e danificaram casas.

«As terras vieram por aqui abaixo, destruíram o caminho e atingiram aquela casa ali em baixo de um familiar», conta à agência Lusa Cátia Jesus, moradora na Maiata de Cima, na freguesia do Porto da Cruz.

A moradora adianta que as pessoas «não conseguiram dormir toda a noite com tanta água a cair».

Manuel Mendes, também habitante da Maiata de Cima, declara que «nunca choveu assim», pelo menos na sua memória.

«A água era tanta e corria pela estrada arrastando tudo quanto encontrava que fazia repuxos parecendo chafarizes», descreve.

Inácio Ramos confirma, mas salienta que nas zonas da Referta, do Folhadal e da Cruz da Guarda o cenário foi pior: «Há casas destruídas, carros que foram arrastados, poios agrícolas que desapareceram. Felizmente não há danos pessoais a registar».

«Toda a noite choveu chuva da grossa», diz o morador João Tiago, apontando para as escarpas.

Cátia Jesus, com alguma resignação, recorda o temporal de 20 de fevereiro de 2010, no Funchal, que provocou 43 mortos e seis desaparecidos.

«A gente vai-se contentando com aquilo que Nossa Senhora manda, é uma coisinha em cada lado. Coube a nós agora», desabafa, lamentando não ter água e luz e após ter removido a lama da entrada da sua habitação.

As estradas de acesso ao Porto da Cruz continuam neste início de tarde condicionadas ou mesmo interditas enquanto equipas camarárias, do Governo Regional e dos Bombeiros Municipais de Machico procedem à limpeza das vias de comunicação.

Os concelhos de Machico, de Santana e de Santa Cruz são os locais mais atingidos pelas chuvas.