Os lugares deixados vagos pelos trabalhadores portugueses na Base das Lajes, na ilha Terceira, nos últimos dois anos vão voltar a ser preenchidos, segundo o líder da Comissão Representativa dos Trabalhadores, João Ormonde.

Nos últimos dois anos, os postos dos trabalhadores portugueses que saíam por morte, invalidez, limite de idade ou opção do trabalhador não estavam a ser substituídos «porque a perspetiva era de despedimento», tendo em conta a intenção dos Estados Unidos de reduzirem sua presença militar na base.

No entanto, a Comissão Representativa dos Trabalhadores (CRT) considerava que esta situação «não era regular», tendo em conta que o processo de redução ainda não tinha sido aprovado. Por isso, denunciou-o ao comandante da 65th Air Base Wing (a base das Lajes, usada pela Força Aérea do EUA).

«A situação anterior era irregular dado que a não reposição das vagas representava uma violação da lei do Orçamento da Defesa norte-americana [de 2014], na medida em que ela dizia que a força não podia ser reduzida e já existiam serviços desativados, com a retirada de forças militares», frisou João Ormonde, em declarações à Lusa.

Segundo revelou, foram dadas garantias à CRT de que o processo de substituição de trabalhadores, até agora suspenso, será retomado.

João Ormonde disse esperar que esse processo seja feito de forma normal, como se não estivesse em discussão um plano de redução da presença militar nas Lajes, o que deverá implicar a contratação permanente, em postos que eram até agora permanentes.

A Comissão Representativa dos Trabalhadores está, neste momento, a fazer um levantamento das vagas por preencher, mas devem estar em causa «mais de uma dezena».

Segundo revelou esta segunda-feira a «Antena 1/Açores», que avançou a notícia, nas últimas semanas foram já abertos 12 concursos para contratar trabalhadores portugueses.

Segundo o representante dos trabalhadores, está também em aberto a possibilidade de alguns postos de trabalho para civis norte-americanos serem «convertidos» em lugares para portugueses, dada a dificuldade que os Estados Unidos estão a ter em contratar civis norte-americanos para irem para os Açores.

Pelas contas da CRT, a base das Lajes perdeu mais de 70% dos seus trabalhadores civis norte-americanos, devido ao previsível processo de redução da presença militar. A indefinição do processo, a contratação por prazos mais curtos e a proibição de deslocação de famílias está a reduzir a procura dos civis norte-americanos pelos postos na ilha Terceira.

Para João Ormonde, estas decisões são «pequeninas boas notícias», mas «não têm a ver com um retrocesso» no processo de redução da presença norte-americana nas Lajes.

Os Estados Unidos anunciaram a intenção de reduzir no ano passado o contingente que têm nas Lajes, em mais de 400 militares e cinco mil familiares, mas a decisão tem sido adiada devido a várias iniciativas legislativas, como recorda a Lusa.