O mais alto responsável do Conselho da Europa na área da Biodiversidade e Ambiente, Eladio Fernandez-Galiano, disse hoje que a Reserva Natural das Ilhas Desertas, na Madeira, é «uma das joias da coroa da natureza europeia».

Eladio Fernandez-Galiano, que entrega na quinta-feira à região o Diploma Europeu para as Áreas Protegidas do Conselho da Europa às ilhas Desertas, referiu, no final de uma reunião com o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia, no Funchal, que o arquipélago tem de mostrar que continuará a proteger a reserva durante os cinco anos em que vigora a distinção.

«Estou na Madeira para entregar ao povo madeirense e ao seu Governo Regional a distinção do Conselho da Europa que se chama Diploma Europeu e que releva o valor natural, ambiental e excecional das ilhas Desertas», explicou.

O responsável indicou como fatores «extraordinários» considerados para atribuição da distinção «os endemismos que têm as ilhas Desertas e, em particular, todo o trabalho que foi feito para recuperar o lobo-marinho».

«Estou certo de que a Madeira continuará a defender e a preservar as ilhas Desertas», que «são um êxito», declarou.

O secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia, indicou que o galardão será entregue nos jardins da Quinta Vigia, sede da presidência do Governo da Madeira, em frente das ilhas Desertas, para «relevar a importância que a região atribui a esta distinção».

Para Manuel António Correia, o diploma do Conselho Europeu é o reconhecimento do «trabalho já feito em termos de gestão e defesa da biodiversidade e constitui um incentivo para o futuro».

O secretário regional realçou ainda que a distinção representa também a abertura de uma nova valência na atividade turística da Madeira, lembrando que as ilhas Desertas «são visitadas por cerca de três pessoas anualmente».

«É uma forma de ligar ambiente e economia», opinou.

As ilhas Desertas, na Madeira, são consideradas um «paraíso» de mamíferos como a foca-monge ou o lobo-marinho e de aves como a freira do Bugio ou a alma-negra.

O Diploma Europeu para as Áreas Protegidas é um galardão atribuído pelo Comité de Ministros do Conselho da Europa desde 1965 e visa distinguir "as áreas protegidas de excecional importância europeia para a preservação da diversidade biológica, geológica, cultural e paisagística que sejam alvo de uma gestão efetuada de forma exemplar".

A sua entrega às Desertas foi anunciada numa reunião de peritos do Diploma Europeu para as Áreas Protegidas, que decorreu em Estrasburgo a 24 de março.

Até agora, em Portugal, a única reserva com esta distinção era a das ilhas Selvagens, também na Região Autónoma da Madeira.

Em todo o mundo, apenas 75 locais, distribuídos por 28 países, têm esta distinção.

A partir de quinta-feira, Portugal passa a ter duas áreas protegidas reconhecidas pelo Conselho da Europa.

A Reserva Natural das Ilhas Desertas localiza-se a sudeste da ilha da Madeira e é composta por três ilhas (Ilhéu Chão, Deserta Grande e Bugio) e ilhéus adjacentes e por toda a área marinha envolvente até à batimétrica dos 100 metros. As ilhas distam 12 milhas náuticas da Ponta de São Lourenço, extremo da Madeira.

A reserva tem uma área total de 12.586 hectares, recorda a Lusa.