Os homens heterossexuais queixam-se mais de ejaculação prematura do que os homossexuais e as mulheres heterossexuais apresentaram mais queixas de dor sexual, dificuldades de orgasmo e de excitação sexual do que as lésbicas, segundo um estudo inédito.

Os resultados do estudo sobre a «Prevalência de Problemas Sexuais e mau estar associado em heterossexuais, gays e lésbicas», elaborado pelo Laboratório de Investigação em Sexualidade Humana (SexLab), serão sexta-feira apresentados durante uma reunião científica.

A investigadora do SexLab Maria Manuela Peixoto, responsável pelo estudo, desenvolvido no âmbito do seu projeto de doutoramento em psicologia, disse à Lusa que os resultados preliminares apontam para «semelhanças e diferenças ao nível dos problemas sexuais experienciados por heterossexuais, gays e lésbicas».

O estudo, que teve como base numa amostra online de 908 homens (435 homossexuais e 473 heterossexuais) e 1.399 mulheres (390 lésbicas e 1.009 heterossexuais), recolhida entre maio de 2012 e maio de 2013, avaliou os principais problemas sexuais dos homens e mulheres.

No sexo masculino foram avaliados a disfunção erétil, a ejaculação prematura, a ejaculação retardada e o baixo desejo sexual, enquanto nas mulheres foram abordadas as dificuldades de orgasmo e de excitação sexual, bem como o baixo desejo sexual e a dor sexual.

A investigação analisou ainda o nível de mal-estar (distress) associado a cada problemática.

Os resultados demonstraram que os homens heterossexuais apresentam mais queixas de ejaculação prematura, comparativamente aos homossexuais.

Por seu lado, as mulheres heterossexuais apresentaram mais queixas de dor sexual, dificuldades de orgasmo e dificuldades de excitação sexual, quando comparadas com as lésbicas.

«A prevalência dos problemas sexuais diminuiu significativamente após o controlo dos índices de mal-estar», lê-se nos resultados preliminares do estudo, citado pela Lusa.

Outro aspeto abordado neste estudo, mas cujos resultados ainda não foram trabalhados, prende-se com uma teoria já aflorada na década de 70 pelo médico William Howell Masters e a psicóloga Virginia Eshelman Johnson, sobre a satisfação dos parceiros.

«O que nós verificámos - e vem de um trabalho da década de 70 - é que os casais de gays e lésbicas dedicam-se mais à satisfação do parceiro, com mais preliminares, o que pode indicar uma satisfação sexual superior», disse Maria Manuela Peixoto.

Este estudo teve como principal objetivo contribuir para a compreensão do funcionamento sexual em heterossexuais, gays e lésbicas.

Além do objetivo de aumentar o conhecimento científico na área, este estudo pretendeu ainda contribuir para a formação mais específica dos profissionais de saúde.

A reunião científica dedicada ao tema «Investigação em Sexualidade Humana: Passado, presente e futuro» é organizada pelo SexLab e realiza-se no Porto.

Criado pelo Centro de Investigação em Sexualidade Humana da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, em parceria com a Universidade de Aveiro, o SexLab é o primeiro laboratório em Portugal a conduzir de forma regular estudos de natureza experimental e psicofisiológica em sexologia.