Há mulheres em Portugal que engravidam porque deixam de ter dinheiro para comprar a pílula e desconhecem que podem recebê-la gratuitamente nos centros de saúde, admitiu esta quinta-feira a presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção.

Lisboa está a acolher, pela primeira vez o Congresso Europeu da Contraceção que vai debater, entre outros temas, a forma como a crise económica da Europa afeta a saúde reprodutiva.

Sobre o assunto, a presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção considera que o acesso aos métodos de contraceção em Portugal continua a estar garantido, indicando desconhecer casos de rutura de stocks nas pílulas que deixem mulheres em contracetivos por períodos prolongados.

Contudo, Teresa Bombas referiu que, nos últimos tempos, o acesso a contracetivos pode não ser uniforme ao nível de todo o país.

Em conferência de imprensa, a responsável alertou ainda que há mulheres que deixaram de ter dinheiro para comprar a pílula e não sabem que a podem receber de forma gratuita nos centros de saúde.

São geralmente mulheres «fora do Serviço Nacional de Saúde», que costumavam ser consultadas em serviços privados, e que não têm a correta informação sobre a forma de aceder a anticoncecionais.

Estes casos, que se verificam em mulheres de várias faixas etárias, ocorrem também em pessoas com nível de escolaridade ou de informação considerado aceitável ou bom.

Ao nível europeu, Teresa Bombas salientou que Portugal é «um dos países com legislação mais uniforme e mais aberta» e no qual «a acessibilidade aos métodos de contraceção está garantida».

Segundo os dados mais recentes, cerca de 65 por cento das mulheres portuguesas em idade fértil tomam a pílula.