O serviço SOS-Criança sinalizou 60 casos de crianças desaparecidas em 2013, mais sete face ao ano anterior, a maioria por fuga e rapto parental, revelam dados do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Os dados enviados à Lusa a propósito do Dia Internacional da Criança Desaparecida, que se assinala no domingo, indicam que a fuga de casa ou de uma instituição foi o principal motivo do desaparecimento (34 casos), seguindo-se o rapto parental (24).

Houve ainda dois casos em que as crianças se perderam, refere o IAC, observando que, até 31 de dezembro de 2013, 31 menores continuavam desaparecidos, enquanto 39 aparecerem durante esse ano.

Em declarações à Lusa, o secretário-geral do instituto afirmou que «têm chegado constantemente» situações de crianças desaparecidas ao número europeu 116 000, atribuído em Portugal ao IAC.

«Além do rapto efetuado por terceiros, temos a questão do rapto parental, das crianças em fuga das instituições e das famílias e as situações das crianças perdidas e das crianças migrantes não acompanhadas», adiantou Manuel Coutinho.

Em 2013, não foi registado nenhum rapto por terceiros, um facto saudado pelo psicólogo, que aponta como uma das razões para esta «boa notícia» a «grande divulgação» que tem sido feita desta problemática, que deixou as pessoas «um pouco mais atentas e um pouco mais alerta».

«No que diz respeito à fuga das famílias e das instituições, tem-se vindo a verificar uma certa regularidade, mas no que diz respeito às situações de rapto efetuados por terceiros, felizmente as coisas têm estado controladas e não têm acontecido», sustentou.

Segundo Manuel Coutinho, os casos de rapto parental é que tem feito aumentar o número de casos que chegam ao SOS-Criança.

Os dados referem que 11 menores estiveram desaparecidos menos de dois dias e seis menos de uma semana. Três crianças estiveram por localizar duas a três semanas, dois entre uma a duas semanas e um entre três a quatro semanas.

Três estiveram um mês por localizar, dois durante três meses e um esteve desaparecido meio ano.

Dos desaparecidos, 31 eram rapazes e 29 raparigas, tendo a maioria (26) entre 14 e os 16 anos.

Dez crianças tinham até três anos, 11 tinham idades entre os quatro e os 10 anos e seis entre os 11 e 13 anos.

Foram ainda sinalizados quatro casos de jovens com 17 e 18 anos. Em três casos a idade não é identificada.

A maioria vivia no distrito de Lisboa (29), seguindo-se Setúbal (14), o Porto (quatro) e Leiria (três).

Em Aveiro e Braga desapareceram duas crianças em cada um dos distritos e em dois casos as crianças residiam no estrangeiro. Houve ainda um caso em Bragança, Portalegre e Madeira.

Na maior parte dos casos a criança não estava sozinha: 24 estavam acompanhadas pelo progenitor, nove por amigos, uma pelo namorado e outra por terceiros. Em 19 casos, desapareceram sozinhos.

Em 33 casos o alerta foi dado pela família, mas também houve situações denunciadas por profissionais (21), pela comunidade (quatro) e pelo próprio (duas).

Relativamente à «situação jurídica dos pais», o IAC refere que em 12 casos estavam divorciados, em sete estavam separados e em seis casos permaneciam casados, havendo ainda duas situações de união de facto.

Em três casos, os pais eram solteiros, em dois viúvos e num caso já tinham falecido. Em 25 situações não foi possível apurar o estado civil dos progenitores, enquanto em 28 casos existiam processos de regulação das responsabilidades parentais.

Os meses de junho e julho foram os que registaram o maior número de desaparecimentos, oito em cada mês, seguindo-se fevereiro, abril, maio, setembro e outubro, com seis casos em cada mês.

Em janeiro foram reportados cinco casos e em março três, enquanto em dezembro foram assinalados dois casos e em agosto e novembro, um caso em cada mês, na síntese da Lusa.