Com a greve dos médicos, só hoje podem estar em causa 160 mil consultas e duas mil cirurgias. É a previsão da Federação Nacional de Médicos (FNAM).

A presidente da FNAM, Maria Merlinde Madureira, aconselhou os utentes a não saírem de casa sem confirmar as suas consultas devido à greve dos médicos que se iniciou às 00:00 e se prolonga até quarta-feira.

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«O utente vai ser afetado pela greve, mas não há risco de vida para ninguém e os serviços mínimos estão assegurados», disse à agência Lusa a presidente da comissão executiva da FNAM, salientando que ainda não existem números de adesão à paralisação.

A greve contra as políticas do Governo foi convocada pela FNAM e conta com o apoio da Ordem dos Médicos, de várias associações do setor, de pensionistas e de doentes.

De acordo com Maria Merlinde Madureira, os serviços mais afetados pela greve são as consultas externas e as cirurgias.

«Aconselho os utentes a não saírem de casa sem ter a certeza de que a sua consulta se vai realizar. Será no setor das consultas e da cirurgia programada que haverá os maiores prejuízos imediatos que serão compensados pela garantia de um futuro melhor na saúde», sublinhou.

A dirigente da FNAM adiantou que os motivos da greve prendem-se com a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e dos profissionais e utentes.

«Esta é uma luta contra uma portaria que destrói o SNS, que destrói hospitais ao retirar-lhes valências, ao diminuir acessibilidades», disse.

Na origem da greve, esclareceu Maria Merlinde, está uma portaria «que obriga os médicos de família a praticarem atos que não lhes respeitam» como a medicina de trabalho e a saúde pública.

«É uma luta contra a organização da VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) e INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) e um conjunto de atitudes que visam defender o SNS e a dignidade dos médicos que tem sido posta em causa», disse.

Este é a segunda greve de médicos que Paulo Macedo enfrenta, tendo a primeira decorrido há dois anos.

Ao contrário da greve de 2012, esta greve não terá a participação do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) que, no dia em que foi anunciada esta forma de luta, explicou que não aderia.

Dois anos depois da última greve, os médicos vão voltar também a sair à rua, com uma concentração marcada para o ministério da Saúde. O protesto foi convocado pela Federação Nacional dos Médicos.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, disse na segunda-feira, em Portalegre, não compreender a greve dos médicos, considerando que a situação «não é construtiva» para o país, que saiu recentemente de uma situação de emergência económico-financeira.

«Eu não compreendo a greve. Nos sindicatos aduziram 22 motivos e a Ordem dos Médicos, se não me engano, 56, portanto se eu quiser apresentar 70 motivos posso sempre apresentar os mais diversos», afirmou.

Assinalando que tem mantido diálogo com os sindicatos e a Ordem dos Médicos sobre os problemas que envolvem o setor, Paulo Macedo considerou que a greve não surge de uma «perspetiva credível» e, sobretudo, «construtiva», uma vez que o país saiu, recentemente, de uma situação de emergência económica e financeira.

Para Paulo Macedo, as razões apresentadas para avançar com a greve são «difusas», de «cariz genérico» e «claramente em termos políticos».