A greve dos enfermeiros que hoje teve início em protesto contra a degradação das condições de trabalho era às 04:00 de 87,1%, adiantou à agência Lusa o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, José Carlos Martins.

«Até às 04:00 da manhã, quando estavam apurados dados de cerca de 89% dos hospitais, a adesão situava-se nos 87,1 por cento. Como é evidente, no turno da noite não há muitos serviços afetados porque não há cirurgias marcadas nem consultas externas, o que quer dizer que os enfermeiros estiveram no essencial a assegurar os serviços mínimos», adiantou.

José Carlos Martins sublinhou que o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) só a partir das 09:00 é que vai começar a apurar dados sobre consultas e cirurgias adiadas.

«No entanto, perspetiva-se que haja cirurgias adiadas e consultas de enfermagem no âmbito das consultas externas que não se realizem por ausência dos enfermeiros», disse, acrescentando que dados mais concretos serão divulgados às 11:00 em conferência de imprensa junto à Assembleia da República.

O dirigente realçou que espera uma adesão elevada à greve por parte dos enfermeiros apesar das políticas de austeridade.

«Há mais enfermeiros disponíveis a aderir, mas naturalmente que as políticas de austeridade têm impacto na vida financeira dos enfermeiros, isto quer dizer que eventualmente os níveis de adesão, mesmo elevados, serão sempre inferiores ao que é a vontade de adesão dos enfermeiros», disse.

O SEP decidiu avançar com dois dias de greve (hoje e quarta-feira) alegando que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, se comprometeu a agendar uma reunião entre o dia 17 e 25 de junho com os enfermeiros para discutir matérias urgentes e não cumpriu.

«Em causa está a degradação das condições de trabalho», nomeadamente o aumento do horário de trabalho para as 40 horas semanais sem remuneração e os cortes no setor da saúde, que permitem que existam enfermeiros a ganhar 3,4 euros/hora, e a situação dos profissionais a Contrato Individual de Trabalho.

No entanto, o Ministério da Saúde rejeita as acusações, afirmando que o seu diálogo com os sindicatos tem sido «sistemático».

Em declarações hoje à Lusa, o presidente do SEP disse que o Ministério marcou entretanto para sexta-feira uma reunião com o sindicato, mas isso não cancelou a greve.

«O facto de ter marcado a reunião para sexta-feira não viabilizou qualquer espaço de discussão prévio à greve e por isso decidimos mantê-la», salientou.

A agência Lusa tentou, sem sucesso, obter dados sobre a greve junto do Ministério da Saúde.